Fitch mantém Brasil dois níveis abaixo do grau de investimento e projeta cenário estável

Agência aponta desafios fiscais e eleições de 2026 como fatores que devem adiar recuperação da classificação de risco

A agência de classificação de risco Fitch manteve a nota da dívida soberana do Brasil em BB- (dois níveis abaixo do grau de investimento), com perspectiva estável, indicando que não prevê alterações na avaliação nos próximos meses. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (25), a agência destacou quatro obstáculos estruturais: elevado endividamento público, rigidez orçamentária, governança abaixo da média e baixo crescimento potencial da economia. O Ministério da Fazenda não se pronunciou sobre a decisão.

A análise mencionou ainda que as eleições presidenciais de 2026 podem postergar a solução dos desequilíbrios fiscais até 2027, além de citar as tensões recentes entre Executivo e Legislativo. O Brasil mantém a mesma classificação desde julho de 2023, quando a Fitch promoveu uma melhora de três para dois degraus abaixo do investment grade. Entre as demais agências, a S&P também classifica o país em BB- (desde dezembro/2023), enquanto a Moody’s (que em maio reduziu a perspectiva de positiva para estável) avalia o Brasil um nível acima, porém ainda sem o selo de bom pagador.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil