CNI critica reforma tributária e alerta para impacto no crédito e no setor produtivo

Entidade industrial apoia taxação de apostas eletrônicas, mas rejeita fim de isenções para LCI/LCA e aumento de tributos sobre fintechs

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou forte oposição nesta terça-feira (10) a medidas do pacote fiscal que extinguem a isenção de impostos para Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) e elevam a tributação sobre fintechs. Em nota, a entidade classificou as propostas como prejudiciais ao acesso ao crédito, especialmente em um cenário de juros elevados. “O setor produtivo já sofre com juros abusivos. Agora, o crédito ficará ainda mais caro, e o custo recairá sobre o consumidor”, afirmou o presidente Ricardo Alban. A CNI destacou que a indústria foi o único setor que encolheu (-0,1%) no primeiro trimestre de 2025, mesmo com o PIB crescendo 1,4%.

Apesar das críticas, a confederação apoia a taxação de empresas de apostas eletrônicas (bets), cuja alíquota subirá de 12% para 18%, e reforçou a necessidade de reformas estruturais. A entidade entregou ao presidente Lula, durante sua visita a Paris, uma proposta conjunta com outras confederações (CNT, CNC, CNF e CNSeg) com medidas para equilíbrio fiscal, incluindo reforma administrativa e controle de gastos. A CNI argumenta que o Brasil precisa de “justiça tributária” em vez de aumentar a carga sobre setores já pressionados por altos custos financeiros e concorrência internacional.

Foto: CNI/Divulgação