Mulheres venezuelanas enfrentam barreiras na integração socioeconômica no Brasil

Estudo da ONU revela desigualdades de gênero no acesso a trabalho, saúde e educação entre refugiadas

Pesquisa realizada por Acnur, UNFPA e ONU Mulheres aponta que as mulheres venezuelanas no Brasil enfrentam maiores dificuldades de integração socioeconômica em comparação com homens, especialmente nas áreas de emprego, saúde e educação. Embora o programa de interiorização voluntária – que já realocou mais de 150 mil venezuelanos para 1,1 mil cidades brasileiras desde 2018 – tenha elevado em 12% a renda média individual, as mulheres chefes de família monoparental apresentam taxas mais altas de desemprego e informalidade. O estudo, realizado entre 2021 e 2023 com apoio do governo de Luxemburgo, revela que homens com maior escolaridade têm prioridade nas oportunidades de realocação.

Apesar da melhora no domínio do português e na inserção laboral feminina (o tempo médio sem trabalho caiu de 6,7 para 4,7 meses), persistem desafios críticos: acesso limitado a métodos contraceptivos e pré-natal, aumento da insegurança alimentar e da discriminação. Crianças e adolescentes em abrigos continuam com dificuldades de acesso à educação. As agências da ONU recomendam políticas públicas intersetoriais com enfoque de gênero para garantir direitos básicos e igualdade de oportunidades aos refugiados venezuelanos no país.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil