Cerca de 100 indígenas dos povos Juruna, Xikrin e Arara da Cachoeira-Seca ocupam há duas semanas a sede da coordenação regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Altamira, no sudoeste do Pará. A mobilização é organizada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu e exige a suspensão imediata das atividades da mineradora canadense Belo Sun, responsável pelo projeto Volta Grande de Ouro, que prevê a maior mina a céu aberto do Brasil em Senador José Porfírio, na região da Volta Grande do Xingu.
As lideranças denunciam o risco de contaminação do rio Xingu por metais pesados e rejeitos de mineração, além da ausência de consulta prévia, livre e informada às comunidades impactadas — direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em carta-manifesto, o movimento alerta que a licença ambiental foi concedida sem a devida participação dos povos afetados e que os impactos socioambientais foram minimizados no processo de licenciamento . Em fevereiro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) restabeleceu a licença de instalação do empreendimento, que estava suspensa desde 2017, decisão contestada pelo Ministério Público Federal e repudiada por entidades indígenas . A ocupação segue até que as reivindicações sejam atendidas.
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