Grupo Pão de Açúcar (GPA) pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou nesta terça-feira (10) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras não operacionais. A medida, aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, já conta com o apoio de 46% dos credores envolvidos — percentual superior ao mínimo legal exigido —, incluindo bancos como Itaú, Rabobank, HSBC e BTG Pactual . O objetivo é ajustar o perfil de endividamento sem comprometer o funcionamento do negócio. A empresa garantiu que as operações das lojas, os pagamentos a fornecedores, os aluguéis e os salários dos funcionários não serão afetados, já que essas obrigações estão excluídas do plano.

O plano prevê a suspensão temporária dos pagamentos das dívidas contempladas por um período de 90 dias, prazo que a empresa utilizará para avançar nas negociações e obter a adesão de mais da metade dos credores (50% mais um), condição necessária para a homologação judicial . De acordo com o diretor financeiro, Pedro Albuquerque, parte significativa do passivo tem vencimento de curto prazo: cerca de R$ 500 milhões vencem em maio e entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão em julho . O endividamento líquido da companhia alcançou R$ 2 bilhões no último balanço, um aumento de R$ 729 milhões em relação ao ano anterior . O presidente do GPA, Alexandre Santoro, reforçou que a medida é o início de um processo de reestruturação e que a operação segue funcionando normalmente.

Foto: GPA/Divulgação