Foto: Ronald Zak/AP Photo
O chanceler austríaco Sebastian Kurz anunciou, neste sábado (9), sua renúncia, em meio à crescente pressão sobre seu envolvimento em um escândalo de corrupção.
Em comunicado transmitido pela televisão, Kurz disse que “seria irresponsável” deixar o país em meio ao “caos ou bloqueio” por essas denúncias, que chamou de “falsas”, e que quis garantir que a Áustria tenha “estabilidade “.
Kurz planeja continuar como líder do seu partido e como seu principal parlamentar. Ele disse estar disposto a continuar governando com seu parceiro de coalizão, os Greens. Mas o partido de esquerda disse que as investigações tornam Kurz inadequado para servir como chanceler e pediu que sua sigla nomeie um sucessor “irrepreensível”.
Os Greens começaram discussões na sexta-feira com três partidos de oposição da Áustria, todos exigindo que Kurz renunciasse. Eles planejam apresentar uma ou mais moções de censura contra ele em uma sessão especial do Parlamento na terça-feira. Para uma moção passar, os Greens precisam apoiá-la.
Kurz está sendo investigado como suspeito de ter usado verba do governo para garantir uma cobertura midiática favorável para ele, anunciou a Promotoria do país na quarta-feira (6).
Assim como na Alemanha, o cargo de chanceler é o correspondente ao de primeiro-ministro. Houve uma inspeção nos edifícios onde funcionam o ministério das Finanças e a chancelaria, segundo a imprensa local.
Entre 2016 e 2018 “foram usados recursos do ministério para financiar pesquisas de opinião parcialmente manipuladas que serviram um interesse político exclusivamente partidário”, estimou a Promotoria.
Naquele período Sebastian Kurz não era chanceler, mas fazia parte do governo. Segundo os promotores, um grupo de veículos da imprensa recebeu pagamentos para divulgar essas pesquisas de popularidade.
A imprensa austríaca acusa o jornal sensacionalista “Österreich”.
Kurz já está sendo investigado por fazer declarações falsas à comissão parlamentar sobre a corrupção, mas até o momento não foi indiciado.
