País realizou 30,3 mil procedimentos em 2024, mas recusa familiar e desigualdades regionais desafiam sistema público de saúde
O Brasil alcançou em 2024 seu maior número histórico de transplantes, com 30,3 mil procedimentos realizados – 85% pelo SUS, que investiu R$ 1,47 bilhão na área, valor 28% superior a 2022. No entanto, o Ministério da Saúde alerta para uma contradição preocupante: enquanto os transplantes aumentaram, o número de doadores efetivos caiu 3%, deixando 78 mil pessoas na fila de espera, sendo 42 mil apenas para transplante renal. “Precisamos conscientizar sobre a importância da doação”, destacou Patrícia Freire, coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes, ao revelar que 45% das famílias ainda recusam a doação.
Para enfrentar os desafios, o governo anunciou um pacote de medidas que inclui a incorporação de dois novos procedimentos no SUS (transplante de membrana amniótica e de intestino delgado), a expansão nacional da prova cruzada virtual para agilizar compatibilidade entre doadores e receptores, e a reconfiguração das macrorregiões de transplantes para reduzir desigualdades entre Norte/Nordeste e outras regiões. O ministro Alexandre Padilha também destacou reajustes de até 81% nos valores pagos pelo SUS para exames e preservação de órgãos, além do lançamento do Programa de Qualidade em Doação para Transplante (PRODOT) para melhorar a abordagem às famílias de potenciais doadores.
Foto: Diego Monteiro/HRAS

