Pesquisa com participação brasileira analisou 4.103 colisões em sete décadas, incluindo espécies ameaçadas da Mata Atlântica
Um estudo publicado na revista Ecology expôs o impacto das estruturas de vidro em áreas urbanas sobre a avifauna nas Américas. A pesquisa, que analisou 4.103 colisões entre 1946 e 2020, identificou que mais de 500 espécies – incluindo aves ameaçadas como o gavião-pombo-pequeno e a saíra-pintor – foram vítimas desses acidentes. No Brasil, onde foram registrados 1.452 casos, São Paulo lidera o ranking com 629 ocorrências. “As aves simplesmente não enxergam essa barreira transparente”, explica a pesquisadora Flávia Guimarães Chaves, do Instituto Nacional da Mata Atlântica.
Coordenado por cientistas brasileiros e finlandeses, o estudo propõe medidas práticas para reduzir as colisões, como uso de adesivos especiais (com espaçamento de 10-15 cm entre bolinhas) ou vidros serigrafados com proteção UV. Os pesquisadores defendem que essas descobertas devem embasar políticas públicas e normas de construção civil, transformando os centros urbanos em ambientes mais seguros para a biodiversidade. O período mais crítico coincide com as rotas migratórias e de reprodução, quando as aves estão especialmente vulneráveis a esses obstáculos invisíveis.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

