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Conhecido por seus vários sucessos de público e de crítica, Tom Hanks admitiu que odeia muitos dos filmes que já gravou em sua carreira de 43 anos.
O ganhador do Oscar fez a confissão uma conversa com o jornalista David Remnick para a revista The New Yorker. No bate-papo, o entrevistador abordou uma passagem do novo livro do astro de Hollywood, ‘The Making of Another Major Motion Picture Masterpiece: A novel’ (“A produção de outra grande obra-prima do cinema: um romance”, em tradução livre), em que o autor diz que fica muito ofendido com a ideia de alguém odiar um filme. “Por que isso?”, quis saber Remnick.
“Certo, vamos admitir: todos nós já vimos filmes que odiamos. Eu estive em alguns filmes que eu odeio. Você viu alguns dos meus filmes e os odeia. Aqui estão os cinco pontos do Rubicão [rio icônico no nordeste da península Itálica] que qualquer um que faz cinema atravessa”, Hanks respondeu, sem citar de quais dos seus filmes ele menos gosta.
O artista, então, falou sobre todo o processo que ele enfrenta ao fazer um filme: passando da assinatura do contrato e o resultado que chega às telonas até à opinião pública e o sucesso (ou não) nas bilheterias. Depois desses quatro pontos, segundo Hanks, há ainda um “quinto Rubicão”: o tempo. “É aonde esse filme chega vinte anos depois do fato”, refletiu. “O que acontece quando as pessoas olham para ele, talvez por acidente.”
Então, Hanks citou ‘The Wonders – O Sonho Não Acabou’, filme de 1996 que ele escreveu e dirigiu. “Adorei fazê-lo. Adorei roteirizá-lo, adorei estar com ele. Eu amo todas as pessoas nele. Quando ele saiu, foi completamente descartado pela primeira onda da opinião pública. Não deu muito certo”, contou. “Ele ficou por aí por um tempo, foi visto como uma espécie de cópia estranha.”
“Agora, os mesmos veículos que o descartaram em sua crítica inicial o chamaram de ‘clássico cult de Tom Hanks’. Então, agora, ele é um clássico cult. Qual era a diferença entre essas duas coisas? A resposta é tempo”, concluiu.
Apesar de Hanks ter evitado nomear os longas que odeia em sua filmografia, David Remnick citou, na entrevista, uma produção que o ator já admitiu detestar: ‘A Fogueira das Vaidades’, de 1990. Segundo o site The Blast, o americano revelou que “nunca faria um filme tão ruim” novamente e ponderou: “Quando estávamos gravando, aquele filme era enorme. Não podíamos nos mudar para lugar nenhum na cidade de Nova York. Todo mundo estava falando sobre isso. Todo mundo foi mal escalado – eu, principalmente”.
‘Você trabalhou em ‘A Fogueira das Vaidades’, que não deu certo, e você trabalhou em ‘O Resgate do Soldado Ryan’, que deu certo”, comparou Remnick. “Você não sabe se os filmes vão ser bons enquanto você está no meio de fazê-los?”
“Não”, respondeu Hanks. “Não há como saber, porque o processo é muito lento. E é tão específico. Você só pode ter fé e esperança – e o que é maior do que fé e esperança? Você tem que confiar todo o processo a colaboradores que você espera que estejam dando o seu melhor a longo prazo.”
A fala de Hanks sobre ele detestar alguns dos seus filmes surpreendeu internautas.
“Amo a honestidade dele”, disse uma pessoa no Twitter.
“Seria ótimo que mais pessoas tivessem esse nível de honestidade”, concordou uma segunda.
“Eu não odeio nenhum filme do Tom Hanks”, outra discordou do astro.
Já outra refletiu: “Bem, eu acho que Tom Hanks é um ator talentoso. Nem todo ator ama seus filmes”.
Dentre os filmes de Tom Hanks com pior avaliação da crítica especializada, estão ‘A Viagem’ (2012), ‘Ithaca’ (2015), ‘Inferno’ (2016) e ‘Larry Crowne – O amor está de volta’ (2011).
Porém, o ator também estrelou os sucessos ‘Náugrafo’ (2000), ‘Quero Ser Grande’ (1988), ‘Forrest Gump: O Contador de Histórias’ (1994), ‘Filadélfia’ (1994) e, como Remnick citou na entrevista do New Yorker, ‘O Resgate do Soldado Ryan’ (1998).
Hanks ganhou seus Oscars de Melhor Ator por ‘Forrest Gump’ e ‘Filadélfia’.