A reabertura do Theatro da Paz, com o Festival de Ópera, tem apresentações tradicionais e espetáculos diferenciados, com o objetivo de promover à população cultura, arte e lazer. Na Ópera “Die Abreise”, apresentada na segunda feira (30), a cenotecnia (instalação de cenários) e o figurino foram feitos por custodiados da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Eles participaram de oficinas, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), para execução dos trabalhos, no projeto Sons de Liberdade.
A audição especial teve na plateia os próprios custodiados responsáveis pelos citados trabalhos. Aplaudidos, eles se emocionaram. Esse histórico de inclusão social pelo trabalho e pela arte é um marco nas ações da Seap na reinserção e ressocialização de custodiados. A apresentação foi um sucesso no palco e na plateia.
“Hoje é a realização de um sonho ver que tudo isso realmente aconteceu”, declarou Leilane Sales, interna do Centro de Recuperação Feminino (CRF). Ela ajudou diretamente na criação e construção dos figurinos dos atores da Ópera. “Geralmente as pessoas de fora não acreditam, mas realmente a Seap tira do papel a ressocialização, e a prova disso é que hoje estamos aqui vendo nosso trabalho. É muito gratificante”, ressaltou Leilane sensibilizada, logo após ver o espetáculo no Teatro da Paz.
A criação da cenografia que abrilhantou a Ópera também foi feita por pessoas privadas de liberdade. Durante dois meses de intenso trabalho, custodiados da marcenaria da Colônia Penal Agrícola de Santa Isabel (Cpasi) puderam contemplar toda a estrutura montada em cima do palco.
“Foi uma experiência que nunca vou esquecer na minha vida. Essa oportunidade é muito importante, agradeço à Seap e ao Estado por ter confiado em nosso trabalho”, agradeceu Jailson Silva, que trabalhou na preparação do cenário e é do projeto Sons da Liberdade. Grato, Jailson quer voltar ao Teatro. “Nunca tinha vindo aqui, achei maravilhoso e pretendo voltar mais vezes, mas agora com a minha família”, afirmou.
Secretário da Seap, Jarbas Vasconcelos, enfatizou, “esse ato só foi possível graças à interação de duas secretarias: Seap e Secult. Quero agradecer às duas equipes que, quando se juntam, formam uma terceira secretaria, com uma força que pode construir e realizar, com talento e criatividade, uma ação dessas, que mostra a capacidade que todos nós temos de ajudar os irmãos privados de liberdade”, observou o secretário.
Jarbas Vasconcelos acrescentou ter certeza que “nada redime mais o homem do que a arte, que atinge a sua essência, o seu espírito, aquela parte que sempre é, e sempre será, livre e liberta, e que impulsiona à frente. Hoje houve uma conversão de espíritos, numa comunhão com o resultado requalificado dessas pessoas à sociedade, buscando alternativas diferentes daquelas que foram oferecidas até hoje pra elas, que sempre foram as alternativas do crime, e hoje oferecemos a alternativa da arte e da cultura, e da educação”.
A Ópera, que contou na plateia com a participação inédita de pessoas privadas de liberdade, também foi assistida por servidores da Seap, e autoridades. Segundo a secretária de Estado de Cultura, Úrsula Vidal, apresentar o trabalho de custodiados dando a oportunidade de acesso à própria produção, transmite para a sociedade uma mensagem de que a cultura é para todos.
“O caminho pode ser trilhado a partir da profissionalização na arte e na cultura. Nessa casa, através de muito esforço, esse público, que é tão especial merece de todos nós uma nova chance, e merecem um novo recomeçar em suas vidas”, comentou a secretária.
A secretária de Cultura destacou a importância da arte na reinserção de pessoas privadas de liberdade. “Esse é só um capitulo que tem algo muito positivo para a sociedade, ajudando na ressocialização, e oportunizando a esses custodiados. O que queremos é uma sociedade de paz, de solidariedade e justiça social, que possibilite que todos os espaços possam ser ocupados”, afirmou.
Por Agência Pará
Foto: Ascom / SEAP
