Reintegrar as pessoas privadas de liberdade vai muito além do retorno ao convívio social. É investir em mudanças comportamentais e aprimorar talentos por meio de projetos profissionalizantes, e contribuir com benefícios para a população paraense. Na última quarta-feira (15), a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) se reuniu com parceiros da Câmara Municipal de Belém e do Poder Judiciário para apresentar a iniciativa de produção de absorventes e almofadas para escolas públicas e hospitais de Belém, que serão feitos por internas do Centro de Reeducação Feminino (CRF) de Ananindeua. O projeto está sendo planejamento para ser lançado ainda este ano.
A realidade em que muitas mulheres e adoentados se encontram, a maioria em vulnerabilidade social e econômica, resultou na discussão de beneficiá-los com a produção de absorventes e “almofadas do coração”, através da mão de obra custodiada e das participantes da Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), formada por internas do sistema penal. O projeto foi apresentado no gabinete da vereadora Lívia Duarte (Psol) com a presença do coordenador de projetos da Diretoria de Reinserção Social da Seap, Gerson Santos, e do juiz Deomar Barroso, da Vara de Execução Penais (VEP).
A atividade será dividida em duas linhas e pretende absorver dez internas do regime fechado para a confecção dos absorventes e dez internas voluntárias pela Coostafe para a produção das almofadas. A próxima fase do projeto será voltada para a aquisição de recursos financeiros e insumos que darão efetividade na produção – e contará com a remição de pena das custodiadas.
A confecção de absorventes acolherá mulheres que muitas vezes não têm condições de comprar o produto de higiene. As remessas serão distribuídas para hospitais, escolas e também para consumo no próprio CRF. As mulheres envolvidas nas atividades receberão a remuneração prisional de um salário mínimo. Já as almofadas, serão preparadas voluntariamente pelas internas profissionais da Coostafe e serão destinadas a pessoas internadas em hospitais.
O coordenador da DRS, Gerson Santos, complementa que os absorventes vão atender a demanda denominada “pobreza menstrual” e as almofadas farão parte de uma campanha criada pela designer e empreendedora Carol Viana, intitulada “Presente de coração para uma boa recuperação”.
Ainda de acordo com o coordenador, a proposta de integração é muito importante para a reinserção social e para a profissionalização das reeducandas. “Para os contínuos projetos de ressocialização, precisamos cada vez mais do envolvimento dos demais órgãos de execução penal e do poder público de todas as esferas da sociedade civil”, conclui.
A parceria entre os órgãos tem como propósito qualificar o público privado de liberdade e dar assistência às mulheres que não têm condições de comprar absorvente, aponta o juiz Deomar Barroso. “Vamos fazer essa parceria para qualificar as internas do CRF, para que possam ajudar outras mulheres”, celebra.
Por Seap
Foto: Seap
