Projeto leva diagnóstico e tratamento de Doença de Chagas para perto dos pacientes

Iniciativa no Sertão de Pernambuco acelera diagnóstico com testes rápidos e descentraliza atendimento para aumentar adesão ao tratamento

Um projeto-piloto no Sertão do Pajeú (PE), região com alta incidência de doença de Chagas, está testando um novo protocolo para agilizar diagnósticos e descentralizar o tratamento, permitindo que pacientes sejam atendidos em suas próprias cidades. Atualmente, a maioria dos casos no estado depende de deslocamentos até a Casa de Chagas, no Recife, a oito horas de distância. O projeto, chamado “Quem tem Chagas, tem pressa”, já identificou que 9% dos moradores testados em Triunfo e Serra Talhada estão infectados – índice acima da média nacional (2% a 5%). A estratégia inclui testes rápidos, que dão resultado em minutos, evitando a espera de até 45 dias por exames de sorologia.

A doença, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é negligenciada e subdiagnosticada, com apenas 10% dos casos detectados nas Américas, segundo a OPAS. No Brasil, 4,5 mil pessoas morrem por ano devido a complicações cardíacas causadas pela infecção crônica. O médico Wilson Oliveira, responsável pelo projeto, explica que 70% dos pacientes não desenvolvem problemas graves e poderiam ser tratados na atenção primária, sem necessidade de deslocamentos longos. A Novartis, parceira da iniciativa, planeja expandir o modelo para outras regiões endêmicas caso os resultados sejam positivos. Enquanto isso, pacientes como o agricultor Roberto Barbosa, que só descobriu a doença após complicações cardíacas, lutam para evitar que outros tenham o mesmo destino.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil