Pesquisa revela que 29% dos cuidadores ainda usam palmadas e beliscões em crianças

Desconhecimento sobre primeira infância e excesso de telas também preocupam especialistas

Apesar da proibição legal há mais de dez anos, 29% dos cuidadores de crianças de até 6 anos admitem utilizar castigos físicos, como palmadas e beliscões, como método disciplinar – sendo que 13% afirmam fazê-lo com frequência. Os dados são da pesquisa Panorama da Primeira Infância, realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com o Datafolha, que ouviu 2.206 pessoas, incluindo 822 responsáveis por crianças pequenas. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (4), revela ainda que 17% dos entrevistados consideram essas práticas eficazes, mesmo com evidências científicas apontando prejuízos ao desenvolvimento infantil, como aumento da agressividade e ansiedade. A Lei Menino Bernardo (13.010/2014) proíbe castigos físicos e prevê medidas como advertências e cursos de orientação para infratores.

Além da violência, o levantamento destacou o desconhecimento sobre a primeira infância: 84% dos entrevistados não sabiam que os primeiros seis anos de vida são os mais importantes para o desenvolvimento humano, e apenas 2% acertaram a faixa etária correta. Outro dado preocupante é o tempo excessivo de exposição a telas – em média, duas horas diárias, chegando a três horas para 40% das crianças, contra a recomendação de zero telas até os 2 anos e no máximo uma hora até os 5 anos. A diretora-executiva da fundação, Mariana Luz, criticou a cultura que normaliza agressões e destacou a necessidade de políticas públicas, como a ampliação de vagas em creches, para garantir um desenvolvimento saudável. “Investir na primeira infância é a forma mais eficiente de reduzir desigualdades”, afirmou, citando estudos do Nobel James Heckman que mostram retorno de sete vezes para cada dólar aplicado nessa fase.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil