Marina Silva sofre novos ataques em audiência na Câmara sobre queimadas e desmatamento

Ministra do Meio Ambiente foi chamada de “adestrada” e “mal-educada” por deputados da bancada ruralista durante discussão sobre política ambiental

Em mais um episódio tenso no Congresso, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) enfrentou duras críticas de parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara nesta quarta-feira (2). O deputado Evair de Melo (PP-ES) liderou os ataques, afirmando que a ministra “nunca trabalhou, nunca produziu” e chamando-a de “adestrada” – repetindo ofensas similares às que fizeram Marina abandonar uma audiência no Senado em maio. Outros deputados como Zé Trovão (PL-SC) e Capitão Alberto Neto (PL-AM) pediram sua demissão, enquanto o presidente da comissão, Rodolfo Nogueira (PL-MS), acusou-a de protagonizar “um dos capítulos mais desastrosos da política ambiental”.

Marina Silva manteve a postura serena, afirmando ter feito “uma longa oração” antes da sessão e estar “em paz”. A ministra rebateu as críticas sobre o aumento de queimadas em 2024 destacando os extremos climáticos globais: “Qualquer pessoa que não seja negacionista sabe que a seca com baixa precipitação potencializa incêndios”. Dados do MapBiomas mostram que o Brasil perdeu 30 milhões de hectares por queimadas no ano passado, 62% acima da média histórica. Apesar dos ataques, a ministra apresentou números oficiais mostrando queda de 46% no desmatamento amazônico nos últimos dois anos.

Foto: Reprodução/TV Câmara