A 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro condenou a União a pagar R$ 300 mil por danos morais a Adalberto Cândido, filho de João Cândido Felisberto — o “Almirante Negro” que liderou a Revolta da Chibata em 1910 —, devido a manifestações oficiais da Marinha consideradas ofensivas à memória do líder anistiado, em documento encaminhado à Câmara dos Deputados em 2024 que classificou a revolta como “deplorável página da história nacional” e usou expressões como “abjetos” e “reprovável exemplo” para se referir aos marinheiros ; a Justiça seguiu posição do MPF, reconhecendo que a proteção jurídica da memória de João Cândido alcança seus familiares e que a Marinha extrapolou o direito à manifestação institucional com linguagem estigmatizante contra um personagem posteriormente anistiado pelo Estado . A Revolta da Chibata, ocorrida entre 22 e 27 de novembro de 1910, mobilizou marinheiros, majoritariamente negros e pobres, contra açoites e condições degradantes, tendo conquistado a abolição dos castigos após quatro dias de levante . A Marinha foi procurada e aguarda retorno sobre a decisão .
Foto: Acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo

