Uma história de abandono e recomeço comoveu moradores de Casa Amarela, no Recife, após um papagaio de estimação ser deixado para morrer no lixo dias depois da morte de sua tutora. Durante 40 anos, Chico viveu ao lado de Dona Lurdes, falecida aos 82 anos, dividindo o cheiro de café fresco e o rádio de pilha que embalava os dias da viúva com hinos do Santa Cruz e frevos assobiados. Após a partida da idosa, parentes distantes que invadiram a casa interessados no valor do terreno consideraram o animal um estorvo e o colocaram em uma caixa de papelão lacrada, abandonada sob o sol quente da cidade. No escuro e com medo, Chico repetia baixinho a frase que sempre ouvia quando estava assustado: “Mainha tá aqui…”.
O destino do papagaio mudou quando o caminhão de lixo parou e Severino, o gari, ouviu um som diferente antes de prensar a caixa. Ao rasgar o papelão, encontrou Chico fraco, desidratado e em luto, e não hesitou em levá-lo para casa. Ele e a esposa cuidaram do animal com conta-gotas, banana e muito carinho, e duas semanas depois um assobio trouxe resposta: Chico voltou a cantar. Hoje, aos 41 anos, o papagaio chama Severino de “Painho” e sua história nos lembra que nenhuma vida merece ser descartada — e que o amor sempre pode começar de novo.
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