Crescimento de 18% em três anos e R$ 257 milhões em custos ao SUS em 2024 expõem desafios
O Pará registra 1,247 milhão de motocicletas em circulação – 60% a mais que a frota de carros (770 mil) –, segundo dados do Detran. O crescimento de 18% em três anos reflete uma tendência nacional, onde motos representam 28% da frota veicular. Porém, o boom traz graves consequências: em 2024, acidentes com motociclistas custaram R$ 257 milhões ao SUS, com internações que podem chegar a R$ 60 mil mensais por paciente. No estado, 24 motociclistas morreram entre janeiro e abril de 2025, segundo a Sespa, enquanto em 2024 foram 93 óbitos.
Fatores e riscos: Especialistas apontam três motivos para a preferência por motos: custo baixo, transporte público precário (apenas 10% dos municípios paraenses têm linhas regulares) e cultura da agilidade, que leva a infrações. Rafael Cristo, especialista em trânsito, destaca que 71% das cidades brasileiras registram mais mortes no trânsito que por armas, sendo 60% dos casos envolvendo motos – com risco de morte 17 vezes maior que em carros. O Hospital Metropolitano de Urgência alerta para lesões graves, como fraturas pélvicas e esmagamento de membros, comum em vítimas jovens (20 a 39 anos). Enquanto isso, o Detran intensifica fiscalizações, com 8 mil operações em 2025 e 5,4 mil veículos removidos.
Propostas como a “Faixa Azul” (usada em São Paulo para organizar motos) e campanhas educativas são vistas como alternativas, mas a falta de infraestrutura e a pressa por entregas (53,6% usam motos para trabalho) mantêm o cenário desafiador.
Com informações do DOL
Foto: Divulgação/Agência Pará

