Fila por transplante de córnea no Brasil chega a 37,7 mil pacientes, alta de 24% em seis meses

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) alerta que, apesar do recorde histórico de 17.790 cirurgias realizadas em 2025, o ritmo de novas indicações supera a capacidade de atendimento, resultando em uma espera média de 370 dias para o procedimento (mais que o dobro dos 174 dias registrados há uma década). Os principais desafios incluem a falta de reajuste nos valores pagos pelos procedimentos (que não acompanham os custos dos insumos cotados em dólar), o impacto da pandemia de covid-19 (que represou pacientes entre 2020 e 2023) e o aumento das exigências de qualidade nos bancos de olhos. O Ceará se destaca com apenas 93 pacientes na fila, após realizar 1.371 transplantes em 2025, enquanto o Rio de Janeiro tem 4.760 ativos (com apenas 653 cirurgias no mesmo período), e São Paulo e Minas Gerais concentram as maiores filas absolutas (7.505 e 4.532, respectivamente). Mulheres são maioria (56%) e pessoas com 65 anos ou mais representam 47% da fila, reflexo do envelhecimento populacional, além de 753 crianças e adolescentes aguardarem o transplante. O Brasil mantém desempenho compatível com Canadá, Austrália e países europeus, e lidera na América Latina. O tema está em debate no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador.

Foto: Divulgação/HFB