Confirmação de 47 blocos da foz do Amazonas no próximo leilão é informada pela ANP

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) anunciou a relação de blocos e segmentos que serão disponibilizados no 5o ciclo de oferta permanente de concessão (OPC), cujo leilão está marcado para 17 de junho. Aconteceu o que se temia: os 47 blocos destinados à exploração de combustíveis fósseis na foz do Amazonas despertaram o interesse de companhias petrolíferas e serão disponibilizados no leilão.

Esta é a primeira vez que as áreas da foz são disponibilizadas ao mercado no formato de oferta contínua. A agência não revelou quais companhias demonstraram interesse nas áreas, mas a relação de 31 petroleiras habilitadas a participar do leilão indica quais estão de olho nos blocos de exploração de petróleo e gás na foz.

A primeira é a Petrobras, que vem aumentando a pressão sobre o IBAMA para obter a permissão para perfurar um poço no bloco FZA-M-59, localizado no litoral do Amapá, além de possuir outras cinco áreas na área. A Shell, que já manifestou publicamente interesse na bacia, juntamente com a BP e a Total, já compraram blocos na foz, porém não conseguiram licença ambiental e venderam as concessões para a Petrobras.

Os 47 blocos da bacia que serão leiloados no próximo leilão da ANP estão divididos em quatro segmentos, todos situados em águas profundas, entre as costas do Amapá e do Pará, respectivamente.

Para aqueles que gostam de afirmar que o bloco 59 “está muito longe da foz” do rio Amazonas – uma tentativa de reduzir os efeitos socioambientais da exploração de petróleo no litoral da Amazônia, incentivada até pelo presidente Lula -, o concurso terá áreas mais próximas à ilha do Marajó, que simboliza o término do rio.

A inclusão das áreas neste ciclo da OPC evidencia que o mercado de petróleo considera certa a autorização para a Petrobras cavar um poço no bloco 59, não por motivos técnicos, mas por pura pressão política, uma vez que a Petrobras é de propriedade da União.

Foto: Petrobras