Antiguidade é posto? Entenda a polêmica envolvendo Daniela Mercury e a ordem dos trios no Carnaval de Salvador

A polêmica com a cantora Daniela Mercury sobre a ordem dos trios do Carnaval de Salvador foi um dos temas mais comentados durante os dias da folia soteropolitana. A ‘Rainha do Axé’ reivindica o direito de abrir os desfiles no Circuito Dodô (Barra-Ondina) sob o argumento de ser a artista com mais tempo ininterrupto a se apresentar no local, tendo também o bloco Crocodilo como pioneiro na região desde 1996 . No entanto, o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, afirmou que a artista “jamais ocupou o primeiro bloco” desde a criação do circuito, e que documentos do Diário Oficial comprovam que o Crocodilo saiu na 5ª posição já na primeira folia . A disputa chegou à Justiça, que inicialmente concedeu liminar favorável à cantora, mas depois revogou a decisão por entender que não há comprovação de direito automático à primeira posição e que a mudança poderia impactar a logística da festa.

O imbróglio expôs a falta de clareza nos critérios utilizados pelo Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) para organizar a fila dos trios. Daniela Mercury contesta que os quatro blocos que estavam à sua frente em 1996 — Broder, Fecundança, Adrenalina e Me Leva — já não existem mais, tornando o Crocodilo o mais antigo em atividade no circuito, e destaca que é a única artista a se apresentar ininterruptamente na Barra-Ondina desde a estreia . A partir de 1998, no entanto, blocos tradicionais como Olodum (1979), Camaleão (1979) e Coruja (1963) migraram para o circuito, levantando o debate: a antiguidade deve ser contada pela fundação do bloco ou pelo tempo de atuação no Barra-Ondina? . Enquanto Malu Verçosa, empresária e esposa da cantora, cobra transparência sobre negociações de vagas e critérios pouco democráticos, o Comcar admite que trocas de posição podem ocorrer mediante acordo entre os blocos, mas nega a comercialização das vagas.

Foto: Divulgação via CNN Brasil