Por Kaliu Andrade
FOTO: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
O Brasil deve chegar à COP30, em Belém do Pará, com uma proposta ambiciosa: criar uma estrutura coordenada de precificação de carbono, acompanhada de um fundo global de US$ 125 bilhões para a conservação de florestas tropicais.
A iniciativa, batizada de Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), viria junto com a formação de uma coalizão climática internacional, inspirada no modelo europeu de ajuste de carbono nas fronteiras (CBAM). Mas com uma diferença importante: um princípio de justiça climática, distribuindo cotas de emissão de acordo com a renda per capita de cada país.
O plano tem três grandes objetivos: atrair investimentos para a preservação ambiental, financiar a transição climática e fortalecer a colaboração entre países em desenvolvimento e nações ricas.
Os pilares da proposta brasileira
🌳 Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF)
• Estimado em US$ 125 bilhões, o fundo pagaria anualmente países que conseguirem reduzir o desmatamento.
• O mecanismo funcionaria como um incentivo financeiro direto à conservação, beneficiando florestas como a Amazônica e a Mata Atlântica.
• O modelo segue a lógica do “blended finance”, que mistura recursos públicos e privados para ampliar o impacto do financiamento climático.
🤝 Coalizão climática ampla com precificação de carbono
• Reuniria países dispostos a estabelecer um teto comum de emissões, reduzido gradualmente ao longo do tempo.
• Aplicaria ajustes de fronteira de carbono, semelhante ao CBAM europeu, para evitar que produtos de países com regras menos rígidas prejudiquem os membros da coalizão.
• O diferencial: justiça e inclusão, já que as cotas de emissões seriam distribuídas conforme a renda per capita. Isso daria mais espaço para países mais pobres continuarem emitindo enquanto desenvolvem suas economias.
• A ideia é criar um sistema global de cooperação climática mais eficaz e equitativo.
Objetivos centrais
• Financiamento climático: direcionar recursos de forma eficiente para mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
• Prevenção de impactos: evitar que políticas de precificação penalizem países em desenvolvimento, como ocorre no caso do CBAM europeu.
• Reforço da cooperação: tornar a governança climática mais inclusiva e representativa.
• Descarbonização: acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, mostrando que sustentabilidade pode gerar também ganhos econômicos.
O contexto da COP30
A COP30, que acontece em novembro de 2025 no Brasil, é considerada um palco estratégico para essa proposta. Além de anfitrião, o país quer se posicionar como facilitador de consensos internacionais, principalmente entre países em desenvolvimento.
Com o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre e a nova coalizão climática, o Brasil busca consolidar sua liderança na agenda climática global, aproveitando o peso simbólico e político de sediar a conferência.
