Brasileiros abandonam TV por assinatura e migram em massa para streaming

Pesquisa do IBGE revela que 43,4% dos lares já assinam plataformas digitais, enquanto TV paga atinge menor patamar histórico

O número de domicílios brasileiros com TV por assinatura caiu para 18,3 milhões em 2024 – o menor nível desde 2016, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) começou a medir o indicador. Enquanto isso, os serviços de streaming alcançaram 32,7 milhões de lares (43,4% do total), segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo IBGE. A mudança de comportamento é marcante: em oito anos, a falta de interesse pela TV paga saltou de 39,1% para 58,4% entre os motivos de não contratação, superando pela primeira vez a justificativa do preço alto (31%).

A pesquisa aponta uma transformação estrutural nos hábitos de consumo de mídia: 8,2% dos domicílios já utilizam exclusivamente streaming (ante 4,7% em 2022), enquanto 86,5% mantêm o consumo de TV aberta. As desigualdades regionais são evidentes – o serviço digital está presente em 50,3% dos lares do Sul, mas só em 30,1% no Nordeste. O rendimento médio nas casas com streaming (R$ 2.950 por pessoa) mais que dobra o valor dos domicílios sem o serviço (R$ 1.390), indicando que o acesso ainda está vinculado ao poder aquisitivo. A tendência de cord-cutting (cancelamento de TV paga) se consolida no país, impulsionada pela diversificação de plataformas e conteúdos sob demanda.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil