Exportações brasileiras para os EUA caem à metade em 23 anos, enquanto China domina pauta comercial

Participação americana nas vendas externas do Brasil recua de 24,4% para 12% entre 2001 e 2024, mostra estudo da FGV

As exportações brasileiras para os Estados Unidos perderam mais da metade de sua relevância nas últimas duas décadas, caindo de 24,4% do total em 2001 para apenas 12% em 2024, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da FGV divulgado nesta segunda-feira (14). Enquanto isso, a China consolidou-se como principal parceiro comercial, saltando de 3,3% para 28% no mesmo período. A queda ocorre em meio à ameaça de sobretaxação de 50% anunciada pelo governo norte-americano para produtos brasileiros a partir de agosto, medida que pode impactar especialmente setores como siderurgia (86% das exportações de ferro fundido vão para os EUA) e aeronáutico (63% dos veículos aéreos).

O estudo revela que o Brasil mantém déficit comercial com os EUA desde 2009, com saldo negativo de US$ 1,7 bilhão no primeiro semestre de 2025. Diferentemente da pauta concentrada com a China (petróleo, soja e minério respondem por 96% das vendas), as exportações para os americanos são mais diversificadas: os dez principais produtos – como petróleo bruto (14%), aço semiacabado (8,8%) e aeronaves (6,7%) – representam 57% do total. Especialistas alertam que realocar esses produtos para outros mercados será difícil no curto prazo, especialmente diante da concorrência chinesa.

Foto: Divulgação/Porto de Santos