ANTRA e ABGLT solicitam reparação para vítimas de operações policiais e censura entre 1964-1985
A ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e a ABGLT (Associação Brasileira de LGBTI+) ingressaram nesta segunda-feira (7) com um pedido histórico de anistia coletiva na Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos. O documento busca reparação para pessoas LGBTQIA+ perseguidas durante a ditadura militar (1964-1985), especialmente vítimas das operações Tarântula, Rondão e Sapatão em São Paulo, que prenderam, torturaram e levaram centenas ao exílio. A ação inclui pedido de indenizações, reconhecimento estatal das violações e criação de memorial.
“Esta reparação quebra paradigmas em países pós-ditadura”, afirmou Bruna Benevides, presidente da ANTRA, destacando que travestis e lésbicas foram as principais vítimas. O dossiê – elaborado com a Universidade de Brasília – documenta desde batidas policiais que prendiam 500 pessoas por dia até a censura a artistas como Cassandra Rios (36 livros banidos) e Rubem Fonseca. O caso do diretor Luís Antônio Martinez, esfaqueado 107 vezes no Rio, é citado como crime de ódio vinculado ao clima de perseguição. A iniciativa se conecta com as discussões sobre envelhecimento digno da comunidade LGBTQIA+, tema central da Parada de São Paulo deste ano.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

