Vocalista da banda fala sobre autenticidade na música, saturação do mercado e seu papel como guardião de uma era que “jamais se repetirá”
Rodrigo Suricato, vocalista do Barão Vermelho, não esconde sua preocupação com o rumo da música na era da inteligência artificial e do excesso de conteúdo. Em entrevista ao g1, o músico criticou a perda da autenticidade artística em meio à facilidade de produção via IA: “Arte é sobre o processo e construção individual. Se você aniquila o processo de tomada de decisão, não adquire repertório interno para se tornar um artista como aqueles que nos inspiraram”. Suricato, que substituiu Roberto Frejat em 2017, vê sua missão no Barão como a de preservar a memória de uma geração analógica e pré-internet, algo que, segundo ele, “jamais irá se repetir”.
Além de liderar o Barão Vermelho — atração confirmada no João Rock 2025 —, Suricato reflete sobre a saturação do mercado musical e anuncia um projeto inovador para artistas. “Existe uma deturpação tão grande de valores na música hoje… Desenvolvi uma plataforma para manter os artistas criativos e potentes nesse cenário”, adianta, sem revelar detalhes. O músico, que encerrou sua banda Suricato em 2023, também questiona a obsessão por números e algoritmos: “Não preciso de palco para ser criativo”. Para ele, o rock dos anos 80 representa mais que nostalgia — é um legado cultural a ser defendido.
Foto: Miguel Folco/g1
