Há pouco mais de dois meses trabalhando em uma das unidades produtivas da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), – a de panificação – a interna I.B. enxerga no trabalho diário que exerce uma oportunidade de mudar de vida. A mulher de 38 anos deseja expandir seus horizontes através do conhecimento que está adquirindo ao participar dos cursos profissionalizantes oferecidos pela Secretaria. Ela está custodiada no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, há cinco anos.
“Estou muito maravilhada pela oportunidade, é muito gratificante e é uma experiência que eu com certeza levarei lá para fora. Quero que as minhas colegas que fizeram o curso comigo tenham o mesmo objetivo que eu, de ter uma nova vida e uma nova mente, quem sabe até almejar ter meu próprio negócio”, conta, esperançosa.
O curso de panificação do CRF é mais um aprendizado para agregar à trajetória estudantil da interna, que anteriormente também já era capacitada em jardinagem. Com a expectativa de poder incentivar seu filho através do seu exemplo, ela faz planos para quando deixar o sistema. “Hoje posso passar tudo isso para o meu filho, para ele enxergar o mundo de uma forma diferente. Tudo que eu passei, eu quero passar para ele, a criminalidade não leva a lugar nenhum, isso nunca mais. Quero uma nova vida!”, desabafa.
A história de I. B. é mais uma dentre as muitas que ocupam diariamente os corredores das unidades prisionais do Estado. Mulheres que, apesar das circunstâncias, não deixaram de almejar novas conquistas e planejar novas realidades através do trabalho e da educação. Ser mulher no século XXI não é das tarefas mais simples. E ser uma mulher custodiada pode ser ainda mais difícil sem as medidas de assistência que atenuem as dificuldades de se estar em privação de liberdade.
Por isso, a SEAP atua constantemente, através dos seus núcleos especializados, para prover às mulheres custodiadas no Pará políticas públicas eficientes e de qualidade. Promovendo a garantia de dignidade e uma custódia humanizada a esta população em todas as casas penais do Estado.
O Centro de Reeducação Feminino (CRF) é um exemplo quando se trata de atendimento especializado às mulheres. Situada em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, a unidade contempla alguns projetos importantes de reinserção social desenvolvidos pela secretaria, como o “Projetar o Futuro” e a Unidade Materno Infantil (UMI). Este último oferece às mulheres gestantes ou parturientes, com bebês recém-nascidos, todo o suporte necessário para as custodiadas terem um parto seguro e humanizado.
Inaugurada em agosto de 2020, a UMI dispõe de uma estrutura completa e adequada às gestantes e lactantes do sistema penitenciário paraense. Possui capacidade de 12 leitos neonatais e conta com duas enfermeiras responsáveis por darem assistência às internas, sendo uma enfermeira para bebês recém-nascidos e a segunda para custodiadas no último mês de gravidez. Após o parto são realizados todos os procedimentos de acolhimento e exames de rotina do pré-natal, além de consultas médicas com nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.
Por Seap
Foto: Seap
