Estudo revela que 90% das vias não pavimentadas estão a menos de 3 km do ecossistema, causando seca e morte da vegetação
A construção de estradas no nordeste do Pará está alterando drasticamente o maior manguezal contínuo do planeta. Pesquisadores do projeto Mangues da Amazônia alertam que rodovias como a PA-458 – que liga Bragança à praia de Ajuruteua – impedem o escoamento natural da água, secando a lama essencial para a vegetação. O resultado é visível: enquanto árvores de um lado da via alcançam 30 metros, do outro não passam de 3 metros, em uma área de 200 hectares impactados (equivalente a 180 campos de futebol). “Esse barramento de água fez com que esse mangue morresse”, explica o biólogo Paulo César Virgulino, coordenador do projeto.
Apesar dos desafios, iniciativas de reflorestamento mostram resultados promissores. Desde 2005, pesquisadores da UFPA adaptaram técnicas asiáticas para recuperar 14 hectares degradados, com viveiros que produzem 40 mil mudas anuais e envolvem comunidades locais. Moradores como Moisés Araújo, agente social do projeto, testemunham a transformação: “Onde antes era solo nu, hoje vemos caranguejos e vida retornando”. O manguezal amazônico, que ocupa 80% da área nacional desse ecossistema, desempenha papel crucial contra mudanças climáticas, sequestrando carbono e protegendo a costa contra erosão. Enquanto 87% do mangue brasileiro está em unidades de conservação, especialistas defendem maior fiscalização para equilibrar desenvolvimento e preservação.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
