Pesquisa da USP avança em vacina contra zika com resultados promissores em testes pré-clínicos

Estudo utiliza tecnologia de partículas semelhantes a vírus (VLP) e mostra eficácia na prevenção de lesões cerebrais e testiculares em camundongos

Pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical da USP anunciaram nesta quarta-feira (16/07) avanços significativos no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus zika. Os testes em camundongos geneticamente modificados demonstraram que o imunizante – baseado na plataforma VLP (a mesma utilizada em vacinas como a da Hepatite B) – foi capaz de induzir a produção de anticorpos neutralizantes e prevenir danos neurológicos e reprodutivos. A equipe, liderada pelo imunologista Gustavo Cabral, utilizou como alvo o antígeno EDIII, parte da proteína do envelope viral responsável pela conexão com células humanas.

O estudo, financiado pela FAPESP, agora busca recursos para iniciar os testes em humanos – etapa que pode demandar investimentos milionários. “Estamos desenvolvendo processos tecnológicos para que o Brasil possa produzir suas próprias vacinas, seja a curto, médio ou longo prazo”, destacou Cabral, que integrou o time de Oxford por trás da tecnologia da vacina AstraZeneca. Paralelamente, os cientistas testam outras plataformas, incluindo mRNA, aprendizado acelerado durante a pandemia de COVID-19. A zika, que causou epidemia em 2015-2016, permanece como ameaça global, especialmente para gestantes, devido ao risco de microcefalia fetal.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil