Marcelo de Carvalho é acusado de racismo após relato de furto em Barcelona

Vice-presidente da RedeTV! gera polêmica ao associar crime a “sujeito de aparência africana” e criticar política migratória europeia

O empresário Marcelo de Carvalho, 63 anos, virou alvo de acusações de racismo nas redes sociais nesta segunda-feira (14) ao descrever o assaltante do irmão de seu filho em Barcelona como “obviamente um sujeito de aparência africana, dos milhões que a Europa deixou entrar”. Em publicação no X (antigo Twitter), o vice-presidente da RedeTV! vinculou o crime à imigração africana e afirmou que a política de acolhimento “vai acabar com a Europa” – declarações que provocaram revolta imediata.

Na tentativa de se justificar, Carvalho insistiu: “Poderia ser de aparência japonesa ou eslava”. Internautas, no entanto, destacaram o caráter discriminatório do “obviamente” em sua fala inicial. “É chocante tamanho preconceito explícito em pleno século XXI”, criticou um usuário. A polêmica ocorre em meio a debates globais sobre xenofobia, enquanto a Espanha registra aumento de 22% em furtos em 2025, segundo dados oficiais que não discriminam autoria por origem étnica. Até o fechamento desta reportagem, a RedeTV! não se pronunciou sobre o caso.

Trechos das publicações polêmicas:

“Obviamente um sujeito de aparência africana […] arrancou o celular”

“Ao invés de salvar muçulmanos africanos, vão acabar com a Europa”

Tentativa de defesa: “Poderia ser de aparência japonesa ou viking”

Reações nas redes:

“O ‘obviamente’ entrega o racismo estrutural” (@CarlosAlmeida)

“Associar criminalidade a fenótipo é manual do preconceito” (@AnaLuizaMendes)

“Preocupante um executivo de mídia reproduzir estereótipos” (@ObservatórioMídia)

A controvérsia lembra casos recentes como o do jornalista William Waack, demitido da Globo em 2017 por comentário racista, e reacende o debate sobre responsabilidade social de figuras públicas. Especialistas em direitos humanos ouvidos pelo g1 destacam que correlacionar origem étnica a criminalidade alimenta discursos de ódio – prática que, na Espanha, pode configurar crime de incitação ao racismo com multas de até €30 mil.

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