Acúmulo de líquido no cérebro sem aumento de pressão pode causar dificuldade para andar, declínio cognitivo e incontinência se não tratado
O cantor Chico Buarque, 80 anos, passou por uma cirurgia nesta terça-feira (3) para tratar uma hidrocefalia normobárica – condição em que há acúmulo excessivo do líquido cefalorraquidiano (líquor) no cérebro, mas sem elevação da pressão intracraniana. O procedimento, uma derivação ventrículo-peritoneal, implantou uma válvula para drenar o líquido excedente para o abdômen. Diagnosticado precocemente em check-up, o artista se recupera bem e deve receber alta em 48 horas, segundo sua assessoria.
A doença, que afeta cerca de 480 mil brasileiros, principalmente acima dos 60 anos, pode ser confundida com o envelhecimento natural. Os sintomas típicos incluem dificuldade para caminhar (com passos arrastados, chamada “marcha magnética”), declínio cognitivo e incontinência urinária. “Se não tratada, pode levar à paralisia, demência severa e perda de controle esfincteriano”, alerta o neurocirurgião Fernando Gomes, do Hospital das Clínicas de São Paulo. O diagnóstico é confirmado por ressonância magnética e um teste que avalia a melhora após retirada do líquor. Embora muitos casos não tenham causa definida, traumas cranianos ou meningites podem desencadear o problema. A cirurgia, de complexidade intermediária, costuma reverter os sintomas quando realizada a tempo.
Foto: Arte InterFisio

