A Globo enviou um memorando nesta semana para mais de 120 afiliadas em todo o país com instruções rigorosas sobre a cobertura no período pré-eleitoral, adotando uma política de “tolerância zero” em relação à parcialidade política. O documento, assinado por Ricardo Villela, diretor de jornalismo da emissora, estabelece que as TVs locais denunciadas por propaganda para candidatos podem ter seus acordos de parceria não renovados pela rede . A medida visa garantir uma cobertura uniforme dentro dos padrões nacionais da empresa, com uma equipe específica fiscalizando reportagens e abordagens consideradas inadequadas, além de alertar que infrações eleitorais podem resultar em multas tanto para as afiliadas quanto para a Globo, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a coluna F5, da Folha de S. Paulo, o memorando foi recebido com apreensão por algumas afiliadas, especialmente aquelas ainda comandadas por políticos ou familiares — uma realidade recorrente em diversas regiões do país . Nos bastidores, circula a informação de que o recado é claro: quem desobedecer pode acabar como a TV Gazeta de Alagoas ou a TV Fronteira de Presidente Prudente (SP), que recentemente não tiveram seus contratos renovados por motivos envolvendo política. No caso da Gazeta, a Globo acusava o ex-presidente Fernando Collor, dono do canal, de usar a emissora para se promover e criticar opositores, enquanto a TV Fronteira perdeu a afiliação porque seu presidente utilizou os telejornais locais para impulsionar a própria candidatura à prefeitura.
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