Pesquisa da Repam-Brasil e Instituto Conviva expõe condições degradantes, expectativa de vida reduzida e violações de direitos humanos nos campos de mineração clandestinos
Um estudo inédito realizado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica e pelo Instituto Conviva revela o custo humano do garimpo ilegal na Amazônia: trabalhadores vivendo em média até os 55 anos (21 anos abaixo da média nacional), expostos a doenças como gota (24%) e malária (19%), e submetidos a violências como tráfico humano e assassinatos. A pesquisa, que entrevistou 389 pessoas em quatro estados entre 2022 e 2024, mostra que 20% das mortes ocorrem por afogamento e 19% por soterramento, com mulheres representando 32% das vítimas de violência sexual nos campos de mineração.
O relatório documenta histórias como a de Valéria, mergulhadora que sobreviveu a três tentativas de assassinato quando descobria veios de ouro, e de Rosa, que há 18 anos busca o filho desaparecido em um garimpo. “É terra de ninguém”, descreve ela sobre as áreas ilegais. Segundo a pesquisadora Márcia Oliveira, da UFAM, o estudo comprova que o garimpo não é opção, mas resultado da desesperança econômica, com trabalhadores sendo “cooptados” por redes criminosas que controlam 60% das operações ilegais na região. Os dados serão encaminhados ao MPF para subsidiar ações contra esses crimes.
Com informações da Agência Brasil
Foto: MPF/Divulgação

