Foto: Divulgação/TV Globo
O Globoplay estreou nesta quinta-feira (8) a série documental “A Corrida das Vacinas” – mesmo para quem não é assinante.
Para o tempo da ciência foi tudo muito, muito rápido. Um inimigo que em poucas semanas fez o mundo parar, encheu hospitais e provocou dor e desespero. Mas gerou também o maior e mais concentrado investimento já visto para encontrar um imunizante.
“O sequenciamento genômico que em fevereiro de 2020 já tivéssemos mais de 20 vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus”, comentou Renato Kfouri.
Essa corrida fascinante merecia tempo para ser contada e vista em detalhes, e é isso que a série original Globoplay, produzida pelo Jornalismo da Globo, vai fazer. Em cinco episódios, uma por semana, com o primeiro disponível já nesta quinta (8), a equipe do documentário vai mostrar no Brasil e no mundo bastidores inéditos dos desafios científicos e da guerra política envolvendo a maior esperança que temos para acabar com a pandemia.
A equipe liderada pelo repórter Álvaro Pereira Júnior vem trabalhando há mais de seis meses para fazer todo o documentário. “Você vai ver um político falando de um jeito que a gente não está acostumado a ver. Vai ver o cientista falando de um jeito que a gente não está acostumado a ver. Vai ver intimidade de personagens importantes do noticiário mostrados de uma outra maneira e as explicações científicas”, conta Álvaro Pereira Júnior.
O documentário vai mostrar bastidores tensos de reuniões decisivas para a compra de vacinas e que a vacinação não escapou de disputas políticas.
“Eu não vou tomar. Alguns dizem que eu estou dando um péssimo exemplo. ‘Ô imbecil, eu já tive o vírus, eu já tenho anticorpos, porque tomar vacina de novo?’. Não posso obrigar ninguém a tomar vacina. Quem não tomar, se ele se contaminar e vier a falecer um dia, a responsabilidade é dele”, declarou o presidente Jair Bolsonaro em diferente ocasiões.
João Doria, governador de São Paulo: “Esse negócio está virando uma novela – US$ 30 milhões. Eu estou me expondo publicamente toda semana. Entendeu? Estou gastando meu capital toda semana”.
Seguindo os protocolos mais rígidos e fazendo muitos exames, a equipe viajou para Índia e Rússia e viveu também uma corrida de obstáculos.
“Cada laboratório que a gente conseguiu entrar foram meses de negociação. Além disso, a gente teve que fazer PCR antes de ir, PCR lá e todo mundo de N95, o tempo inteiro, o máximo de distanciamento que a gente conseguia. Enfim, era um elemento a mais de dificuldade ali para produção do documentário”, relata a chefe de produção, Clarissa Cavalcanti.
A série ouviu especialistas e elaborou ilustrações que explicam como cada vacina funciona para nos proteger.
“O que a vacina quer é enganar o sistema imune para ele pensar que está sendo atacado por um microorganismo, quando, na verdade, não tem nada lá. O Sars-Cov-2 é um vírus que vai entrar no nosso organismo pelas vias respiratórias”, explicou Natália Pasternak.
O documentário – que tem roteiro de Anna Bernardoni, Nancy Dutra e Gabriel Mitani – acompanhou também a ansiedade vivida pelos voluntários dos testes quando a eficácia das vacinas era apenas uma possibilidade. E a angústia do isolamento seguida da alegria vivida pelos primeiros que receberem a vacina depois da comprovação científica.
A gente fez o documentário tendo exata noção da dimensão histórica que ele tem”— Álvaro Pereira Júnior, repórter
“Daqui a alguns anos, quando alguém assistir a esse documentário e está todo mundo de máscara o tempo todo, você vai falar: ‘Puxa, olha como era a vida em 2020, em 2021’. Então, a gente fez o documentário tendo exata noção da dimensão histórica que ele tem”, comenta Álvaro Pereira Júnior.

