Especialista aponta uma das explicações para acidente que matou família que viajaria até o Pará

Na última terça-feira (14), cinco pessoas de uma mesma família que morreram tragicamente quando o avião em que viajavam caiu numa área de mata apenas 15 segundos após decolar de Piracicaba (SP), num voo que as levaria ao Pará. No avião, estavam o empresário Celso Silveira Mello Filho (73 anos), sua esposa Maria Luiza Meneghel (71) e os filhos Celso Meneghel Silveira Mello (46), Camila Meneghel Silveira Mello Zanforlin (48) e Fernando Meneghel Silveira Mello (46), além do piloto Celso Elias Carloni (39) do copiloto Giovanni Dedini Gullo (24), que também morreram.

A aeronave era nova, havia saído do período de manutenção e encontrava-se com a documentação regular. Profissionais ligados à aviação estão intrigados. Um profissional que já atuou em investigação de acidentes aeronáuticos explicou ao Espaço Aberto que, ao contrário do que muita gente pensa, sobretudo os leigos no assunto, aeronaves que acabam de sair da manutenção não estão de todo a salvo de acidentes. São raros, mas acontecem, como demonstra o caso do ocorrido em Piracicaba.

Curva da banheira – É que existe, segundo o especialista, aquilo que os técnicos chamam de curva da banheira, um gráfico no formato da letra U. Isso significa que tanto equipamentos, aparelhos e até aeronaves, no período imediatamente após a manutenção, estão sujeitas a um alto índice de falhas, uma vez que foram submetida a alterações feitas por intervenção humana. À medida que o tempo passa, observa-se um baixo índice de falhas, decorrente, justamente, dos ajustes feitos na manutenção. Até que chega o limite entre as inspeções, fazendo-se necessário uma nova manutenção, porque o índice de falhas tende a subir novamente.

“A curva da banheira pode ser apenas uma das explicações para o acidente. Mas outras causas precisam ser investigadas, como um problema operacional, elevado peso e performance da aeronave (já que o avião faria uma perna longa, de Piracicaba até o Pará) ou uma outra. Neste momento, qualquer levantamento de probabilidade que vier a ser feito por qualquer profissional é até leviano, daí a necessidade de esperarmos pelo resultado das investigações que vão se iniciar, a cargo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB)”, disse o especialista

Foto: Corpo de Bombeiros de SP