Em municípios do Pará, Minas Gerais e Bahia, têm mais gente recebendo o Pé-de-Meia do que aluno matriculado

Segundo uma matéria do jornal O Estado de São Paulo, no programa “Pé-de-Meia”, em localidades do Pará, Bahia e Minas Gerais, a quantidade de beneficiários recebendo o benefício excede a quantidade de estudantes inscritos em escolas públicas. Em Porto de Moz, no Pará, uma cidade de 41 mil habitantes localizada às margens do Rio Xingu, foram contabilizados 1.687 beneficiários do Programa Pé-de-Meia em fevereiro de 2025, totalizando R$ 2,75 milhões.

No entanto, de acordo com os diretores das duas únicas escolas estaduais da cidade, o número real de alunos inscritos é de 1.382, o que representa 305 alunos a mais do que aqueles presentes nas salas de aula. Por outro lado, o MEC eleva os números e menciona 3.105 estudantes, mais do que o dobro do que as escolas divulgam. Em Riacho de Santana, na Bahia, a situação é igualmente absurda: 1.231 indivíduos foram beneficiados, porém o único estabelecimento de ensino estadual da cidade afirma possuir apenas 1.024 inscrições.

O Ministério da Educação menciona 1.860 estudantes, enquanto a Secretaria de Educação do estado menciona 1.677. Em Natalândia, Minas Gerais, a narrativa se repete. O Ministério da Educação indica 326 beneficiários, contudo, a escola estadual local possui 317 estudantes inscritos. No entanto, o ministério insiste em 600 alunos.

Em localidades como Quixabá, na Paraíba, e Alcântara, no Maranhão, mais de 90% dos estudantes do ensino médio estão sendo beneficiados – 66 das 67 matrículas em Quixabá e 833 das 839 em Alcântara. O Ministério da Educação argumenta que isso espelha o perfil socioeconômico dessas áreas, caracterizadas pela pobreza.

Foto: MEC