Crise institucional na COOMIGASP trava retomada da mineração em Serra Pelada e desafia ordem judicial

A Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) vive uma grave crise institucional que impede a retomada da exploração mineral em uma das regiões mais emblemáticas da mineração brasileira. O impasse começou em março de 2025, quando uma sentença da Comarca de Curionópolis afastou a presidente Deuzita Rodrigues da Cruz Viana do cargo, colocando João Alves Araújo no comando da entidade . A mudança ocorreu apenas dois meses antes do previsto início das atividades de mineração, levando a empresa parceira a suspender o projeto diante da insegurança jurídica instalada. Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) anulou a decisão de primeira instância e determinou a imediata reintegração de Deuzita à presidência, mas a ordem judicial ainda não foi cumprida — a sede da cooperativa permanece ocupada por um grupo identificado pela diretoria como invasores, impossibilitando o funcionamento administrativo e a realização de eleições para os conselhos da entidade.

O impasse judicial se agrava com novas denúncias de invasão e furto de documentos. Em janeiro de 2026, um grupo liderado por um indivíduo conhecido como “Jacó” teria invadido a cooperativa utilizando “força bruta”, e no dia 28 daquele mês, dois computadores contendo o acervo histórico e documentos de controle da entidade teriam sido levados do cartório da COOMIGASP . Paralelamente, a Agência Nacional de Mineração (ANM) autorizou em fevereiro a averbação de penhora sobre os direitos minerários da mina de Serra Pelada, decorrente de ação trabalhista movida na Justiça do Trabalho de Parauapebas, com valor estimado superior a R$ 50 milhões. Especialistas apontam que o passivo total da cooperativa pode ultrapassar R$ 350 milhões, envolvendo processos de fornecedores, prestadores de serviços e ações relacionadas à antiga parceria com a Colossus Mineração, colocando em risco a concessão de lavra — principal patrimônio histórico e econômico dos garimpeiros da região . A Polícia Civil de Curionópolis investiga as denúncias, enquanto milhares de cooperados aguardam uma definição judicial que permita a regularização da entidade e a retomada do projeto minerário.

Com informações do Blog do Zé Dudu

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