O BRT, sigla em inglês para sistema de ônibus rápido, nasceu em Curitiba, Paraná, no final dos anos 70. A ideia deu certo e logo se espalhou para outras cidades do mundo. Bogotá, na Colômbia, possui incríveis 114 KM de extensão e mais de 8 mil ônibus.
Atualmente o Rio de Janeiro conta com linhas em 3 zonas da cidade e integrado ao metrô. Isso garante mais conforto ao usuário com algumas estações conjuntas. O modelo de funcionamento do BRT Rio é o que inspira a obra de Belém. Na cidade paraense a integração será feita com os ônibus de bairro e as estações entre São Brás e Maracacuera, em Icoaraci.
A princípio a obra iniciada em 2011, ainda no governo do ex-prefeito Duciomar Costa. Finalmente em 2013 foi repassada à administração de Zenaldo Coutinho com as canaletas de concreto para os ônibus já concluídas entre o chapéu do Barata e o Entroncamento, no perímetro do Cidade Folia.
Anteriormente o atual prefeito, na campanha de 2012 em entrevistas, prometeu concluir e habilitar a integração dos ônibus ainda no primeiro mandato. Passaram-se quatro anos para apenas metade do projeto ser entregue, nas vésperas da eleição de 2016. O trecho ia até o terminal do Mangueirão.
Da mesma forma, na época o prefeito justificou na mídia que havia uma disputa judicial entre o Ministério Público do Estado e o consórcio realizador. O MP cobrava explicações para inconsistências no projeto idealizado ainda pelo ex-prefeito Duciomar. Por seis meses em 2013 a obra ficou parada até que Zenaldo apresentasse um novo design para o BRT.

A nova fase incluía a troca das paradas circulares de vidro, todas compradas e algumas até instaladas. Paradas de vidro que foram descartadas em um depósito sem uso pela prefeitura. A realização de projetos de drenagem na avenida Augusto Montenegro foi uma das etapas mais complicadas. Também houve a construção de viadutos no Entroncamento e avenida Independência. Até agora o terminal Maracacuera já foi entregue e esse era o pronto final da obra física.
Finalmente a Prefeitura quer que todo o sistema BRT comece a operar completamente, com ônibus articulados, bilhete único e integrado e a troca dos ônibus de linha por novos itinerários em conjunto daqui há um ano. Quase dez anos depois do início da obra. Em comparação com o sistema carioca, nós mesmo dez anos foram implementados no Rio cerca de 150 KM de vias. Em Belém apenas 20 KM.
Indícios de superfaturamento
Um relatório de 2018 da Controladoria Geral da União aponta que 40,9 milhões de reais supostamente foram superfaturados. Um segundo relatório do CGU aponta falhas na obra. Problemas no projeto básico, sobrepreço em vários serviço, cobrança de serviços não realizados e valores incompatíveis com o porte da obra.
Pandemia de covid-19
Desde o fim de março o serviço e uso dos ônibus articulados e das canaletas está desativado. Primeiramente a prefeitura disse que o isolamento social diminuía o fluxo de uso. Porém, desde junho as atividades voltaram ao normal. Pessoas que usam o BRT sentem falta, principalmente por que ele encurta o tempo de trajeto. Até agora ainda não há uma perspectiva de retomada dos serviços.
Reportagem: Pedro Valdez

