Muitos lembram de Duda Mendonça por causa das campanhas eleitorais de Paulo Maluf, do Presidente Lula e de tantas outras. Outros vão lembrar de “não basta ser pai, tem que participar. Não basta ser remédio, tem que ser Gelol..” e várias outras campanhas publicitárias premiadas dos mais diversos produtos e serviços. A verdade é que Duda Mendonça ultrapassou os limites territoriais da publicidade e da comunicação eleitoral, ao conseguir o que é o maior prêmio e proeza para um profissional de propaganda: colocar essa atividade no universo da cultura popular. Duda colocou na boca do povo, bordões, tiradas e frases tiradas da vida do povo. Era um criativo, um inventivo, foi da comunicação, mas poderia ter sido da poesia, do teatro, dos livros, dos camelôs, do cordel, da música. Por sinal, na música, tem um sucesso de Maria Bethânia, onde Duda Mendonça é um dos criadores, a bela canção Cheiro de Amor. Duda faz parte de uma geração que ajudou a consolidar a indústria da propaganda no Brasil, a criar o moderno marketing nas eleições, principalmente nas regiões fora do grande eixo São Paulo-Rio de Janeiro. Baiano, Mendonça começou em Salvador, brilhou no Nordeste todo e expandiu para o Brasil e o mundo, tendo feito grandes campanhas em vários outros países. Para toda uma geração de jovens criativos foi referência, um verdadeiro ídolo, num tempo em que a gente começava na propaganda reverenciando os mestres, copiando, tentando entender o processo de criação desses gênios. Duda foi um dos grandes do marketing político, ajudando na exaltação e na demonização dessa atividade. O termo marqueteiro deve-se muito a Duda Mendonça, tanto para o bem, como para o mal. Para muita gente marqueteiro tem a ver com mandingueiro, com milagreiro ou milongueiro, um cara que inventa qualidades que um político não tem. Mas Duda Mendonça fazia um trabalho que unia inspiração com muita transpiração, usando pesquisa, investigação de opinião, percepção aguçada, agregando talentos em várias áreas, para chegar aos conceitos felizes, precisos, comunicadores. Como dizem os profissionais que entendem do riscado: comunicação não é o que tu falas, mas o que as pessoas entendem. E Duda sabia se fazer entender, sabia dialogar com o público de seus clientes e contratantes. A comunicação mudou alucinadamente neste século 21. Mudaram os meios, as mídias, os comportamentos das pessoas, a forma de criar e disseminar o que hoje chamamos de conteúdos. Mas talentos como o de Duda Mendonça vão ser sempre referência, pois estão na essência da atividade, com o olhar único, o apelo certeiro, a abordagem inusitada, o entendimento da vida, a escrita habilidosa, a capacidade de gerar o grande insumo dessa atividade: a ideia pertinente, comovente e mobilizadora. Um ser como Duda Mendonça não morre nunca, permanecerá sempre com uma inspiração diante de uma situação que exige criatividade. Num momento em que a democracia e o próprio conceito de república são tão ameaçados no Brasil e no mundo, é uma pena não termos mais esse criativo genial para fazer campanhas em favor dessas causas tão vitais. Ele certamente viria com algo: não basta votar, tem que participar. E eu completaria: não basta ser publicitário, tem que ser o calor, a baianidade, a emoção, o olhar, e a velocidade de Duda Mendonça.
Glauco Alexander Lima
Profissional de Comunicação Social

