Após circulação internacional, chega a Belém exposição “Lágrimas de São Pedro” que cria chuva com 7 mil gotas suspensas no ar

A exposição “Lágrimas de São Pedro”, do artista visual baiano Vinícius S.A., chega a Belém com uma das maiores montagens em vinte anos de circulação do projeto, e estreia em 6 de outubro, às 19h, na CAIXA Cultural Belém, com visita guiada pelo artista. A instalação tem entrada gratuita e permanece em cartaz até 24 de janeiro de 2027, convidando o público a caminhar entre cerca de 7 mil gotas suspensas no ar, como se o tempo tivesse parado. A estreia completa o percurso da obra por todas as unidades da CAIXA Cultural no Brasil — Belém era a etapa que faltava nessa itinerância, que leva a instalação a diferentes regiões desde 2008, quando foi apresentada em Salvador, e que também passou por Las Vegas, nos Estados Unidos, e Frankfurt, na Alemanha. “É a primeira vez que vou expor em uma capital, em uma metrópole, que tem essa relação mais íntima, talvez mais afetiva, com a chuva”, afirma Vinícius. As milhares de “lágrimas” são feitas de bulbos de lâmpadas cheios de água, sustentados por fios de nylon em diferentes alturas, com iluminação cênica que realça a transparência das peças. “É como se tivéssemos o poder de pausar a chuva, uma chuva de gotas grandes, limpas, transparentes, leves e com isso poder contemplar sua beleza, seu poder, seu símbolo, sua necessidade. É uma obra sobre chuva, mas também sobre a seca. É uma chuva poética”, explica o artista. A obra nasce de vivências e pesquisas, incluindo lembranças da infância no sertão da Bahia e uma experiência na Chapada Diamantina, onde o artista caminhou por dentro de uma nuvem. Artista com obra no acervo do Museu de Arte Contemporânea da Bahia e residências na Holanda e na Alemanha, Vinícius transforma materiais cotidianos em instalações que convidam o público a experimentar o espaço; em “Lágrimas de São Pedro”, a relação entre água, fé e esperança aparece também nas reações dos visitantes. A temporada na Amazônia aproxima a reflexão sobre a escassez de água dos impactos das secas sobre comunidades ribeirinhas, fauna e flora. “Eu entendo a arte como um artifício político, como um artifício de diálogo com as pessoas. O objetivo é usar a poesia para construir uma linguagem visual capaz de dialogar com o espectador para que ele também se sensibilize com essas causas”, afirma. No dia 7 de outubro, às 14h, o público poderá dialogar com o artista no bate-papo “Uma conversa entre centros: Lágrimas de São Pedro em Belém”, seguido de visita guiada, com inscrições pelo link https://forms.gle/Yn9rGyxZpPmUjKuCA. A visitação ocorre de 7 de outubro de 2026 a 24 de janeiro de 2027, de terça a domingo, das 10h às 21h, na CAIXA Cultural Belém, Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto — Porto Futuro II, com entrada franca.

Foto: Divulgação