A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta quarta-feira, o registro do medicamento Leqembi (lecanemabe), uma terapia inovadora para pacientes na fase inicial da doença de Alzheimer. Trata-se de um anticorpo monoclonal intravenoso que atua diretamente na fisiopatologia da doença, reduzindo a carga das placas beta-amiloides no cérebro — agregados proteicos considerados um dos principais marcadores da doença neurodegenerativa. A aprovação posiciona o Brasil entre os países com acesso a um tratamento modificador da doença, e não apenas sintomático.
A decisão regulatória baseou-se nos resultados robustos do estudo de fase 3 Clarity AD, que acompanhou 1.795 pacientes com Alzheimer precoce por 18 meses. Os dados, publicados no The New England Journal of Medicine, mostraram que o grupo tratado com Leqembi apresentou uma redução de 27% na taxa de declínio cognitivo e funcional em comparação ao placebo, conforme medido pelas escalas CDR-SB (Clinical Dementia Rating–Sum of Boxes). Embora não seja uma cura, a terapia demonstrou capacidade de retardar significativamente a progressão dos sintomas, o que pode ampliar o período de autonomia do paciente e permitir um melhor planejamento familiar e de cuidados. O uso, contudo, é restrito a casos confirmados da presença de amiloide no cérebro (via exame de imagem ou líquor) e requer infusões periódicas em ambiente médico, com monitoramento de possíveis efeitos adversos, como edema cerebral.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
