A Importância do Reflorestamento Sustentável

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Investimentos em Startups e conservação de biomas para uma recuperação ambiental produtiva

Por Vagner Mendes

O processo de urbanização acelerada no Brasil resultou em uma série de problemas sociais e ambientais ao longo das últimas décadas, afetando diretamente o ecossistema e a biodiversidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que as regiões menos urbanizadas têm os piores indicadores socioeconômicos e, consequentemente, são as que estão ainda mais expostas aos desequilíbrios ambientais, como é o caso do Pará. O cenário aponta para a necessidade de soluções imediatas e inovadoras que atuem no reflorestamento de áreas degradadas de forma sustentável, por meio de parcerias público-privadas.

A recuperação de áreas é uma das medidas necessárias para diminuir o impacto gerado pela degradação ambiental. E é com o objetivo de preservar florestas e combater práticas pouco sustentáveis e transparentes que diversas iniciativas têm sido criadas pelo mundo, buscando melhorar a relação do homem com a natureza.

Patricia Daros, diretora de Operações do Fundo Vale, afirma que, sim, é possível recuperar áreas e proteger florestas por meio de negócios de impacto socioambiental, empreendimentos que já nascem com o propósito de deixar um legado social positivo ou resolver um problema ambiental. “Quando a gente está diante de um desafio enorme, do ponto de vista de áreas a serem recuperadas, eu penso que a economia da recuperação é super viável. A gente olha a Amazônia e vê um celeiro de oportunidades para o desenvolvimento de negócios desse tipo”, conta ela.

Investimentos para um planeta mais sustentável

No processo de reflorestamento e recuperação ambiental, projetos, iniciativas ou startups precisam de investimento, de quem acredite na proposta e aporte os primeiros recursos financeiros necessários para o empreendimento. Neste contexto, a Vale criou ativos para colocar em prática seu investimento social privado, entre eles o Fundo Vale, um fundo de fomento e investimento que busca soluções inovadoras para os desafios socioambientais. Há mais de 10 anos, atua de forma estratégica, aporta recursos para apoiar e fortalecer negócios e iniciativas de impactos socioambientais positivos no planeta.

“O Fundo Vale nasce em 2009, com o objetivo de investir em programas, projetos estruturantes para o combate do desmatamento na Amazônia. Nosso objetivo era a preservação e conservação de biomas ameaçados. Hoje, o Fundo não olha somente para a Amazônia, mas também para outros biomas brasileiros, na perspectiva de fomentar e investir em soluções de impacto socioambiental positivo, trazendo uma economia mais justa e inclusiva. Trabalhamos nesse sentido para fomentar a economia da floresta e fazer com que essa economia mantenha a floresta em pé”, ressalta Patricia.

Patricia Daros, diretora de Operações do Fundo Vale

A Vale já investiu mais de R$ 600 milhões em projetos de pesquisa e proteção ambiental. Deste valor, cerca de R$ 135 milhões foram aportados via Fundo Vale, em 75 iniciativas na Amazônia, ao longo de seus 10 anos de atuação. Há mais de 30 anos, a empresa tem sua principal operação de minério no Pará, o Complexo Minerador de Carajás, e apoia ações que visem à recuperação e à proteção de floresta nativa na Amazônia.

No Mosaico de Carajás, por exemplo, área composta por seis unidades de conservação e que soma aproximadamente 800 mil hectares de florestas, a Vale investiu cerca de R$ 145 milhões para atividades de proteção. Nestas áreas protegidas, 490 milhões de toneladas de carbono estão estocadas. As atividades da empresa ocupam ocupam apenas 3% da Floresta Nacional de Carajás. Os 97% restantes são protegidos em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ibama.

A Amazônia e seu potencial em bioeconomia

Por meio de mecanismos financeiros inovadores e fortalecimento dos negócios, o Fundo Vale contribui para que o Brasil se torne uma referência em bioeconomia para o mundo. Assim, de maneira colaborativa, fortalece comunidades, povos tradicionais, agricultores e empreendedores, para que possam viver da produção sustentável.

Uma das iniciativas foi o Desafio Conexsus, que mapeou 1.080 negócios socioambientais coletivos, de cooperativas e associações, dos quais 402 estavam na Amazônia e 112 no estado do Pará. Por meio de uma parceria com o Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), o Fundo Vale fez uma triagem desses negócios e os acelerou. “A gente vem apoiando cadeias produtivas da sociobiodiversidade para fortalecer esses modelos de negócios e tentar torná-los mais sustentáveis. É nesse sentido que a gente vem trabalhando: de um lado a gente fomenta e investe nesses negócios, eles crescem, com um valor agregado a um produto da Amazônia, e ganham o mercado”, ressalta Patricia.

A Belterra Agroflorestas e a Caaporã são duas novas startups agroflorestais que têm recebido investimento e estão sendo modeladas via Fundo Vale, para implantação de sistemas agroflorestais, não olhando somente o retorno financeiro, mas também o impacto que esses empreendimentos vão trazer para as comunidades locais. “Essas startups foram criadas já pensando em trazer impacto socioambiental positivo. O papel de negócios como esses é muito importante para essa nova economia e elas têm um potencial muito grande crescimento e de geração de lucro”, declara Patricia Daros.

A Belterra, por exemplo, que recebe suporte e investimento do Fundo Vale, é uma empresa de parceria rural que atua junto aos pequenos produtores na implantação de sistemas agroflorestais que promovam a regeneração dos serviços ecossistêmicos e a ampliação da renda dos agricultores. O grande desafio é gerar modelos escaláveis de restauração florestal, em modelos produtivos, que integrem a recomposição de paisagens agroflorestais com a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida dos pequenos agricultores familiares.


O que são Sistemas Agroflorestais?
Agrofloresta ou Sistema Agroflorestal (SAF) é um sistema que reúne as culturas de importância agronômica em consórcio com a floresta. São caracterizados por apresentar formas de uso ou manejo do solo, combinando espécies arbóreas (frutíferas e/ou madeireiras) com com cultivos agrícolas e/ou criação de animais de forma simultânea ou em sequência temporal, oferecendo benefícios econômicos e ecológicos.

O Fundo Vale também apoia outras iniciativas com o objetivo de desenvolver um ambiente favorável aos negócios de impacto socioambiental. Entre elas, estão o Fundo Socioambiental Conexsus; a AMAZ, aceleradora de impacto que nasceu dentro do Programa Parceiros pela Amazônia (PPA); uma plataforma para identificação de risco de desmatamento com uso de inteligência artificial, em parceria com o Imazon e a Microsoft; e o Lab Amazônia, que busca soluções para os problemas de logística e comercialização dos produtos da sociobiodiversidade.

Instituto Tecnológico Vale e a Pesquisa do Jaborandi

A Vale é uma das únicas empresas do setor privado que mantém, de forma voluntária, uma instituição de pesquisa que vai além dos seus negócios e deixa um legado para a ciência e tecnologia no Brasil. O Instituto Tecnológico Vale (ITV) realiza pesquisas nas áreas de mineração e nos temas com potencial para gerar novos conhecimentos em desenvolvimento sustentável, tendo como pilares de atuação a pesquisa, a capacitação e o empreendedorismo.

Por meio do ITV Desenvolvimento Sustentável, localizado em Belém (PA), e do ITV Mineração, localizado em Ouro Preto (MG), os pesquisadores atuam com o propósito de criar opções de futuro por meio da pesquisa científica e do desenvolvimento de tecnologias, expandindo o conhecimento e a fronteira dos negócios de maneira sustentável.

Uma das pesquisas realizadas pelo ITV Desenvolvimento Sustentável é a do Jaborandi, espécie que está sendo utilizada no processo de recuperação ambiental na Floresta Nacional de Carajás. Cecílio Caldeira, engenheiro agrônomo, doutor em Fisiologia Vegetal e pesquisador do ITV, conta que o Jaborandi é uma espécie nativa e endêmica da flora brasileira. Ela ocorre somente em três estados: Pará, Maranhão e Piauí.

A planta é a única fonte natural de pilocarpina, um alcaloide que é amplamente utilizado na produção de vários medicamentos que servem para o tratamento de doenças como glaucoma, xerostomia e, alguns estudos apontam para o uso dela até mesmo no tratamento de epilepsia. Caldeira comenta que o extrativismo da espécie iniciou no século passado e, devido ao alto valor agregado à substância, a espécie tem sofrido com a ação predatória do homem. Hoje, é considerada uma espécie ameaçada de extinção na flora brasileira.

“Nós, do Instituto Tecnológico Vale, juntamente com várias instituições parceiras, temos desenvolvido uma série de estudos e pesquisas na Floresta Nacional de Carajás, visando à conservação e ao manejo sustentável desta planta. Uma das contribuições de nossas pesquisas com o Jaborandi, dentro do processo de recuperação ambiental, é a busca por plantas matrizes, prioritárias para conservação. Tanto aquelas que apresentam patrimônio genético importante para ser guardado para a manutenção da diversidade de um longo prazo, quanto para seleção de plantas com o maior potencial produtivo. Identificar essas plantas poderá nos permitir, por exemplo, entender melhor o que a espécie precisa para o seu crescimento, e o que é que efetivamente estimula a produção de pilocarpina. Com esse conhecimento, nós poderemos, no futuro, aprimorar o manejo da espécie nas condições naturais. Mas, sobretudo, nas áreas onde elas são plantadas visando à recuperação ambiental”, ressalta Cecílio.

Cecílio Caldeira – Pesquisador

O pesquisador explica que, em linhas gerais, a recuperação de áreas degradadas busca restabelecer as características que aquele ambiente possuía antes de ser degradado. E, com isso, os diferentes serviços a que se destinava, como a proteção do solo, o armazenamento de água, e também fornecimento de produtos, como a pilocarpina. Como o jaborandi é uma espécie concorrência nacional na região de Carajás, e possui um alto valor agregado e de grande importância econômica, o uso dessa planta na recuperação ambiental pode trazer vários benefícios.

O uso restabelece a espécie ao seu ambiente natural, permite ampliar a área de ocorrência e o manejo da espécie. E, ao se plantar em grande número, ela também contribui para espécie que está ameaçada de extinção. “Muito tem sido falado a respeito do grande potencial de diversidade que a Região Amazônica possui. Ao mesmo tempo, temos assistido a muitas perdas dessa região, e com elas, o potencial vai se reduzindo sem que ao menos o tenhamos conhecido. É preciso que mais pesquisas sejam realizadas. Muitas descobertas importantes para a humanidade podem estar sendo perdidas a cada dia que deixamos esse patrimônio desparecer bem em frente aos nossos olhos. Minha expectativa é que possamos conhecer melhor o que temos e o quanto antes”, enfatiza o pesquisador.

Uma empresa “GHG Net-Zero” em 2050

Para colaborar com as metas globais de combate às mudanças climáticas, a Vale assumiu o compromisso de se tornar uma empresa com o balanço líquido de emissões de gases de efeito estufa igual a zero (GHG Net Zero), até 2050.

Ser uma empresa com balanço líquido de emissões igual a zero significa calcular o total das emissões, reduzir as emissões quando possível e compensar o restante das emissões através de sequestro de carbono em biomassa e da compra de créditos de carbono. O conceito foi fortalecido com a adoção do Acordo de Paris, em 2015, tratado discutido por muitos países dentro da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Clima, com o objetivo de limitar e restringir o aquecimento global no planeta.

Assim, a Vale irá investir até US$ 6 bilhões para reduzir as emissões de escopos 1 e 2, até 2030. Esse é o maior investimento comprometido pela indústria da mineração para o tema de mudanças climáticas, que reflete todas as urgências atuais do planeta.


Saiba Mais

Para atingir os compromissos socioambientais voluntários assumidos pela empresa e ajudar a combater as mudanças climáticas, a Vale está desenvolvendo diversas ações, entre elas a recuperação e proteção de 500 mil hectares de florestas até 2030; investimentos na produção e consumo de energia elétrica a partir de fontes renováveis, no uso racional dessa energia e no alinhamento de seu portfólio de negócios visando à transição para uma economia de baixo carbono.

Conheça esses compromissos em http://www.vale.com/esg/pt/Paginas/NossaEstrategiaCompromissos.aspx