Febrasgo alerta para saúde mental após perda gestacional e necessidade de acolhimento especializado

A entidade destaca que a perda gestacional, que afeta entre 15% e 20% das gestações, pode desencadear tristeza profunda, culpa, ansiedade e sensação de vazio, e que familiares, amigos e até profissionais de saúde muitas vezes negligenciam o luto, como relatou Kalyane Ribeiro, que criou uma comunidade online para acolher outras mulheres após sua experiência. O obstetra Romulo Negrini ressalta que o sofrimento é uma reação humana esperada, mas quando persiste por mais de 15 dias e causa paralisia da vida, pode evoluir para depressão ou luto patológico, exigindo psicoterapia e medicação. A psiquiatra Andréa Galastri explica que as alterações hormonais após a perda amplificam a sensibilidade emocional, e o obstetra Eduardo Santana defende a proatividade dos médicos e a difusão de assistência especializada em todo o país para evitar que pacientes cheguem deprimidas ao consultório. O Setembro Amarelo é usado como oportunidade para lembrar que o cuidado com a saúde mental nesse contexto é fundamental, e canais como o CVV (188) e os Caps estão disponíveis para apoio. Kalyane, que também escreveu o livro “Ainda me Sinto Mãe”, reforçou que a rede de apoio, incluindo profissionais e outras mulheres que vivenciaram a perda, foi essencial para sua recuperação.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil