A comissão de frente da Portela proporcionou um dos momentos mais impactantes da primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro ao fazer um integrante “voar” sobre a Marquês de Sapucaí em um drone gigante tripulado. A inovação tecnológica aconteceu durante a apresentação do coletivo coreografado por Rodrigo Negrini, quando um tripé de apoio se abriu e um bailarino montado em um superdrone iluminado, utilizando uma máscara, decolou e sobrevoou os demais dançarinos, arrancando aplausos entusiasmados do público presente nas frisas e arquibancadas próximas à pista.
Dividida em quatro atos, a comissão de frente apresentou o enredo da Águia a partir do diálogo entre o orixá Bará, senhor dos caminhos no Batuque gaúcho, e o Negrinho do Pastoreio, figura do folclore brasileiro. Na narrativa, após uma vida de provações, o Negrinho encontra uma história perdida na névoa e retorna com a trajetória de Príncipe Custódio, liderança religiosa que, segundo a tradição afro-gaúcha, organizou o Batuque no Rio Grande do Sul e se tornou símbolo de resistência negra no estado. O voo representava justamente a redenção do personagem, que se transforma no príncipe herdeiro da coroa de Bará. A performance emocionou o público não apenas pela ousadia tecnológica, mas também pela potência simbólica ao celebrar a cultura afro-brasileira e suas lideranças históricas.
Foto: Globo
