TRT condena empresa por preconceito e especialistas orientam vítimas a denunciar violações
Um trabalhador de Brasília, vítima de discriminação por seguir a umbanda, conseguiu na Justiça o reconhecimento de que foi alvo de racismo religioso no ambiente de trabalho. Demitido após reclamar de xingamentos, ele receberá R$ 15 mil de indenização da empresa Valor Ambiental, condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) por violar seus direitos. O caso, julgado em 23 de julho, abre caminho para que outras vítimas busquem reparação e alerta empregadores sobre a necessidade de combater o preconceito.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 515 denúncias de discriminação racial ou étnica em 2025 – em 2024, foram 718. A procuradora Danielle Olivares Corrêa, coordenadora de igualdade no MPT, explica que o racismo religioso se manifesta em piadas, isolamento do funcionário e até bloqueio a promoções. Ela destaca que gravações e mensagens podem ser usadas como prova e que empresas devem criar comitês de diversidade para evitar penalidades, como multas e ações civis. Enquanto isso, mulheres negras enfrentam dupla vulnerabilidade: recebem salários 52,5% menores que os de homens não negros, segundo dados governamentais. A Valor Ambiental nega as acusações e anunciou recurso, mas o TRT manteve a condenação, citando a omissão da empresa diante das denúncias.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
