Decisão pode encerrar prática vigente desde 1991, após operação revelar prejuízos a milhões de aposentados e pensionistas
O governo federal está analisando se manterá o modelo que permite a sindicatos e associações descontarem diretamente dos benefícios do INSS as mensalidades associativas de aposentados e pensionistas. A revisão ocorre após a Operação Sem Desconto, que revelou um esquema fraudulento envolvendo essas cobranças. O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, afirmou que o Executivo avalia os riscos e a fragilidade do sistema antes de decidir pela continuidade da medida, em vigor há mais de 30 anos.
Segundo Messias, entre 2019 e 2022, uma “engenharia criminosa” causou prejuízos bilionários e danos à imagem da Previdência Social. Dados da CGU apontam que os descontos saltaram de R$ 413 milhões, em 2016, para R$ 2,8 bilhões em 2024, sem que o próprio INSS saiba quanto foi cobrado ilegalmente. Mais de 1,6 milhão de beneficiários já pediram reembolso. Diante disso, o governo considera alternativas como PIX e boletos para cobrança direta pelos sindicatos, enquanto o Congresso discute um projeto que pode proibir definitivamente o desconto em folha.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

