Papo Cosplay #1: Thassia Albuquerque, a Mulher-Maravilha Paraense

Foto: Divulgação/Anime Geek – Cedidas pro Thassia Albuquerque

Hoje estreio nesta coluna um quadro chamado ‘Papo Cosplay’, que visa dar um espaço pro pessoal do meio, pra mostrar a história de cada um, de cada parte do país e mostrar assim o trabalho dos cosplayers, que tá bastante inserido neste mundo geek.

E pra começar, vamos começar aqui do Pará, falando com Thassia Albuquerque, que é cosplayer, pedagoga e integrante da Liga Cosplay Pará, um das mais importantes no meio aqui no Estado. Também dividi a mesa com ela durante a CONECTA – Convenção Nerd de Cultura e Tecnologia da Amazônia, em que falamos sobre os 80 anos da Mulher-Maravilha.

Um dos trabalhos mais conhecidos é como Mulher-Maravilha, mas vai muito além disso e entrevistei ela pra falar um pouco mais sobre isso.

Confira:

Márcio Monteiro – Bacana News: Thassia, seja muito bem-vinda. Queria que tu se apresentasse pra galera que tá acompanhando a entrevista

Thassia Albuquerque: Bem. Eu sou Thassia Albuquerque, sou noiva do Capitão América do Pará e tenho 38 anos. Sou formada em Pedagogia pela UEPA e faço Cosplay há 6 anos.

Márcio: A gente esteve junto no painel da CONECTA falando sobre os 80 anos da Mulher-Maravilha e eu sei que é um dos cosplays preferidos teus. Como entrou a amazona na tua vida?

Thassia: A Mulher-Maravilha foi meu 2° cosplay realizado, mas o número 1 na minha vida Cosplay. Ela surgiu na minha vida por intermédio do meu noivo, Breno Costa, que falou que me parecia muito com a personagem em sua essência. E que eu ficaria muito bem com o traje dela, que vimos pela 1° vez no filme ‘Batman Vs. Superman’. Então investimos no traje dela pra ser estreiado no 1° filme dela. E desde então, não consigo deixar de usar esse Cosplay.

Márcio: Você é integrante da Liga Cosplay Pará, que é um dos mais conhecido no meio aqui no nosso estado. Como tudo começou?

Thassia: A Liga Cosplay começou em 2016, depois que fomos pela 1° vez trajados a um evento geek. Meu noivo, que foi de Capitão América, havia sido convidado por cosplayers veteranos a participar de um grupo de WhatsApp só com os cosplays do Estado. Neste grupo haviam muitas pessoas, e a maioria tinha um pensamento distinto do meu noivo, então, após 3 semanas, ele saiu deste grupo, junto com outros cosplays que tinham a mesma visão dele, e me chamou pra juntos fundamos a Liga Cosplay Pará. E desde então estamos nesse contínuo projeto.

Márcio: Retomando sobre a CONECTA, você esteve em painéis da Liga falando sobre a questão do assédio, que vocês mulheres sofrem diariamente. No meio Cosplay, como você ver essa situação? E você já passou por um situação no qual ficou muito desconfortável?

Thassia: O assédio é algo muito grave, e infelizmente, constante no meio Cosplay. Não sofremos só assedio sexual, mas também o moral. Nunca passei por uma situação de assedio sexual. No entanto, é constante passar por assedio moral. Quando vem pessoas do meio ou não, julgar meu tipo físico, me ofender por “não ter perfil pro personagem”, etc. A maioria prega que Cosplay é pra se divertir e homenagear seu personagem favorito, mas adora julgar o próximo quando não tem a cor, o peso a altura, a cintura e etc. Que seja igual a do personagem. Essas situações me deixam desconfortáveis. Ainda hoje me sinto desconfortável, mas não vou deixar de me divertir e mostrar meu trabalho por conta destas pessoas amargas que tem o prazer de humilhar e destilar veneno e ódio pra fazer a pessoa desistir deste meio (o meio Cosplay).
Atualmente vejo que este cenário está mudando. Quando ocorre o assedio logo é denunciado e toda comunidade Cosplay, da sua maneira, tenta resolver o assunto (me refiro só assedio sexual).

Márcio: E também vocês falaram sobre a depressão na CONECTA e recentemente vocês tiveram a perda de um amigo pelo mesmo motivo. Notei que ficou emocionada ao falar sobre o assunto. Como é falar desse assunto para o público que acompanha vocês?

Thassia: A depressão, como escutamos, é o mal do século. É uma doença silenciosa que muitos não percebem ou não sabem como ajudar quem tem. A sociedade ainda taxa como frescura e falta de Deus, quando se trata de alguém próximo, mas quando é um artista, tem-se mais empatia. Falar desse assunto é alertar pra quem está perto da gente, é também mostrar que o Cosplay pode ser um caminho pra curar esta doença. Pois quando sentimos que ajudamos o próximo, que somos úteis, que podemos fazer a diferença, começamos a ter um novo propósito, e com isso, a doença não cria raiz. Lembrando que sempre é bom ter um acompanhamento médico adequado, pra poder ter 100% de melhoria.

Márcio: Mudando de assunto, sei que vocês vêem o Cosplay como algo sério, que envolve o instrumento de transformação e também a responsabilidade social com ações que promovem. O que vocês acham quando aparece alguma opinião que tenta diminuir o trabalho de vocês?

Thassia: Esse é um ponto interessante. Nesse meio, como em todo outro, há rivalidades. No começo, quando acontecia de diminuírem nosso trabalho, tentávamos esclarecer a importância dele e como o nosso trabalho e visibilidade poderia acrescentar no meio Cosplay. Mas isso sempre foi meio em vão. Atualmente apenas ignoramos, pois não se faz necessário dizer nada, o carinho das pessoas com a nossa equipe, as reportagens e entrevistas, o reconhecimento através de prêmios e comandas já fazem esse papel. E se a pessoa ainda assim tenta nos diminuir, sinto pena. Pois todos tem espaço pra se destacar mas poucos investem seu tempo pra que isso aconteça. Querem tudo na mão. E quando alguém se destaca ao invés de correr atrás também preferem falar mal. Enfim, sentimos pena de quem tenta nos diminuir.

Márcio: Você é pedagoga, certo? Então, queria saber uma curiosidade, como é dividir o trabalho da Thassia na profissão como pedagoga e da Thassia como Cosplay.

Thassia: Essa vida dupla, é parecida com a dos filmes, onde não queremos que ninguém nos reconheça. Falando sério, é cansativo mas gratificante. Meus alunos já me viram trajes pelo shopping, na praça e até mesmo na escola. Elas amam. Muitos dos meus alunos entendem a referência, e as vezes digo, em uma situação de problema, que usarei o laço da verdade pra saber quem está falando tudo. E eles acabam se resolvendo. É corrido demais. Faço tudo pra escola na segunda e terça, as vezes adianto as coisas em até 1 mês. Assim me sobra um pouco mais de tempo pra fazer cosplay no fim de semana

Márcio: Estamos chegando ao fim da entrevista. Então, queria que desse um recado pra quem está nos acompanhando no Bacana News.

Thassia: Acho que o melhor recado que eu poderia dar é: Não deixe de fazer o que gosta por conta dos outros. Muitos vão chegar com você e vão tentar destruir seus sonhos. Cabe a você não permitir. E é isso. Obrigada Márcio por mais uma oportunidade. E pode contar comigo e com a Liga, sempre!

Thassia e a Liga Cosplay Pará estarão presente no Anime Geek Day, no próximo domingo, dia 10 de abril, na UNAMA Ananindeua.

Você pode acompanhar a Thassia através do Instagram, assim como a Liga também por lá.

Confira as fotos: