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Conhecer bem o rosto é um ótimo caminho para realçar as suas melhores partes e, assim, conseguir uma imagem agradável. Agora, peço que esqueça tudo que conhece sobre contornos de rostos e outras maquiagens. A maior parte dos tutoriais apenas ensina contornos para rostos ovais e para os erros mais gerais; porém existem inúmeras maneiras para realçar a sua face. Aqui, não se preocupe, irá encontrar a maquiagem perfeita. À primeira maneira trata-se de uma técnica muito simples, mas necessária quando falamos da maquiagem perfeita. Todos temos diferentes facetas; encontra-se as mais específicas linhas até as mais gerais; sendo assim, deve-se aniquilar as imperfeições, deixando as harmonizações a fim de realçar as partes mais belas. Fazendo isso, tenha certeza de que a maquiagem perfeita virá.
Foque seus esforços em dois primordiais itens: corretivo e iluminador; nesta ordem, respectivamente. Apanhe um corretivo mais escuro e, com este em suas mãos, contorne os erros de sua face. Deve ser bem feito: as imperfeições à mostra apresentam, de permeio, a sua faceta mais podre. Digam o que disserem, é consenso que, quando queremos ser uma pessoa melhor, devemos sumir com os nossos mais profundos erros. Feito isso, pegue o seu pincel de confiança e utilize o iluminador para realçar as suas facetas mais encantadoras. Não se esqueça de fazer de um jeito mais adequado ao seu tipo de rosto; seja ele qual for.
Não se esqueça também de realizar a devida higienização dos materiais comprados, evitando, de forma tal, a infecção por meio de doenças, causadas por bactérias e vírus. Os vírus, ao contrário das bactérias e dos seres humanos que utilizam as maquiagens, são acelulares; isto é, não possuem células. Pela não existência de células em seus organismos, os vírus também são carentes de metabolismo próprio. Não obstante este fato, os parasitas ainda se multiplicam, todavia, diferentemente dos demais, estes necessitam invadir uma célula hospedeira e usar a sua engrenagem e maquinário para que ocorra a multiplicação.
Mulheres e homens que dispõem de uma maquiagem são semelhantes aos vírus. Recusa aqui salientar os sofrimentos pungentes que estes proporcionam a tantas espécies e, simultaneamente, a saciedade vivica que percorre a sua equivalência; ou as similaridades biológicas, como a do ácido nucleico (DNA), ou a concepção – ainda não estipulada – de que ambos são seres vivos; mas sim ao esconde-esconde de suas deficiências; apropriando-se-lhes de outros meios para maquiá-las.
Um indivíduo humano – que, desta vez, não se dispõem de maquiagens – nomeado Edward Jenner idealizou, no século XVIII, o método científico combatente às doenças, sendo intitulado o criador da primeira vacina do mundo. Embora a sua eficácia, as vacinas não dão conta de tudo: existem profusos vírus que, maquiados em células hospedeiras, criam tantas mutações que as vacinas não conseguem ser eficazes. O Covid-19, vírus que assolou boa parte do Ocidente e Oriente ao infectar altos números de pessoas no ano de 2020, é um dos que possuem inúmeras variantes e mutações, as quais apenas as vacinas já estipuladas não bastam.
As grandes nações desenvolvidas economicamente enredam-se em descobrir vacinas e mais vacinas de cunho competente para a resolução do grande problema do Covid-19. Criou-se, em grau máximo, uma severa energia indomável de quem conseguiria primeiro as vacinas: China, EUA, Reino Unido, Rússia etc. Os avanços foram constantes e os países europeus foram os primeiros a iniciarem as vacinações. O Brasil, em parceria com centros de pesquisa na China, fez a Corona Vac. No Reino Unido, em específico em Oxford, foi criada a AstraZeneca. Nos EUA, a Pfizer tomou lugar. E na Rússia, foi a Sputnik V.
Exemplificando essa situação, Vladimir Putin, presidente russo, fora cabalmente rigoroso; visto que, em 2022, depois de um grande avanço científico, pediu a líderes mundiais, que o visitavam, a prestarem-se em fazer cinco ou menos testes de covid antes de adentrarem na conversação com o chefe de estado. Jair Bolsonaro, presidente da república do Brasil, fez os cinco. Por outro lado, Macron, presidente da França, preferiu não comungar de tal ato e teve de sentar-se em uma longa mesa para a conversa.
A despeito das rigorosas medidas, Vladimir Putin assemelha-se com a manutenção da maioria dos vírus com seus empreendimentos; em outras palavras, Putin também deve usar maquiagem; e isto ocorre pelo mesmo motivo dos vírus: esconder as imperfeições e realçar os pontos fortes. A maquiagem aqui atalhada não vem do contato com a pele, mas de outra forma; esta que é, é verdade, conhecida por muitos, no entanto, desconhecida por muitos outros: a maquiagem ideológica.
Entre os anos de 1960 e 1970, no Brasil da ditadura militar, o Ministro da Saúde Raimundo de Brito iniciou uma campanha nacional para erradicar a varíola. Foram mais de 50 anos de campanhas incessantes de vacinação. Quando começou, o sucesso era iminente: envolveu trazer celebridades, atores famosos, atletas, políticos e líderes religiosos aos centros de vacinação. E, ademais, juntava-se todos os meses desenhos animados que promoviam uma conscientização pública. Os programas e campanhas de vacina estavam todos os dias nas casas da família brasileira pela televisão ou rádio. Todos os dias havia anúncios lembrando as pessoas de levar seus filhos ao centro de vacinação mais próximo para tomar vacinas regulares. Estava inteiramente no imaginário coletivo. Conquanto o bom ato, de acordo com o que acredita o historiador Gilberto Hochman, tal campanha somente teve seu início por uma motivação política: os crimes contra a humanidade praticados pela ditadura foram sendo expostos e, por conseguinte, os militares decidiram colocar a atenção da sociedade em algo bom sobre eles, criando, assim, uma agenda positiva da vacinação.
Chega-se ao ponto final do texto: Vladimir Putin bebe da mesma fonte dos militares, dos vírus, das mulheres e dos homens. Se antigamente a sua figura era quase uma unanimidade, hoje existe uma oposição interna, mesmo que muito perseguida. Eleito há mais de 20 anos, o então presidente anda com receio. No que tange a oposição, por exemplo, o seu principal opositor político Alexei Navalny está preso em um campo de trabalhos forçados. Precisando tornar os olhos públicos para outras coisas, Putin compreende um fenômeno: parte do poderio militar, político, sócio-político russo magistra uma posição de recuo da modernidade democrática para defender que os países que fazem fronteira com a Rússia – e que antes faziam parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – não estejam separados da república russa, pois, de uma forma ou de outra, eles pertenceriam a nação. Compreendendo a imensidão deste montante, o condutor do país faz parte deste parecer; usufruindo-se e maquiando os seus defeitos, contudo. E ele tem propriedade; no fim de contas, por dezesseis anos, Putin foi oficial do KGB, o serviço secreto da União Soviética, chegando à patente de tenente-coronel. Eis aí, dentre vários, mais um pretexto para invadir a Ucrânia: distrair parte da população de que existe um inimigo pior do que ele, o qual deve ser enfrentado.
Para finalizar o assunto da Rússia, vale comentar a existência da doutrina militar russa Maskirovka. Esta abrange uma ampla gama de medidas para o engano militar, desde a camuflagem até a negação e o engano comum. Maskirovka está por todos os lados, não só na Rússia. Abordada a teoria política por um ângulo diferente, estende-se a técnica em todas as grandes democracias; igualmente, em todas as grandes ditaduras. Os ideólogos bolsonaristas constantemente atacam os métodos científicos usados para combater o semelhante de método do seu líder (o vírus), ao passo que escondem seus erros a fim de realçar seus tão escondidos “méritos”. E os ideólogos lulistas idem: atacam latentemente seu opositor, mesmo que o método seja-lhes semelhante; e isso só para citar os dois pólos extremos do país, pois a lista continua.
Jaz aqui uma reflexão: sempre cairemos nas maquiagens esdrúxulas de políticos altamente anti-democráticos? Sempre cairemos, e isto é o cerne da questão, em suas perfeições, afastadas do escárnio, demasiadamente realçadas e, propositalmente, postas para vermos? Como é possível acreditarmos em chefes políticos que, entre escândalos e mais escândalos, alienam os seus apoiadores para que os vejam como ícones? Refém da conduta alheia, induzido pela beleza fictícia, o apoiador político hoje aprendeu a se subjugar ao domínio de seu ícone; assim, do fato de pensar, está longe, do fato de existir, como civilizado, ainda mais, descartando, destarte, os possíveis e devidos exames críticos. A cegueira ideológica, onde todos devem, por obrigação irracional, escolher um lado, é um fenômeno contemporâneo atualizado, de um povo que perde o discernimento quando antepõem sua racionalidade à sentimentalidade. Andam-se como um rebanho que, obediente ao seu líder, não percebe que, todos juntos, seriam superiores.
O empreendimento, portanto, a ser realizado demanda esforço, cobra a ignorância. Compreende-se, primariamente, que os êxitos devem, e serão, postos na balança, contanto que o outro lado esteja idêntico de malogros. É preciso tirar as maquiagens. O realce das qualidades deve acontecer comumente; e, comumente, o realce das não qualidades também. Quando o realce for em demasia parecido, evapora-se qualquer emoção: a realidade tem que prevalecer, por mais feia que seja.
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