Entenda os casos de internações e óbitos mesmo após as duas doses da vacina contra a covid-19

A morte do ator Tarcísio Meira, de 85 anos, nesta quinta-feira (12/8) reacendeu o debate e deu ainda mais força aos relatos que contam histórias de pessoas que se infectaram por covid-19 ou morreram de complicações da doença mesmo após tomarem a vacina.

Casos assim, ainda que amplamente noticiados pela imprensa, devem ser tratados como um “evento raro” e não significa que as vacinas não funcionam, principalmente se o regime de imunização estiver completo no intervalo correto (leia mais ao fim da reportagem).

“As pessoas têm muita dificuldade de entender qual é a função de uma vacina”, diz Natalia Pasternak, bióloga e fundadora do Instituto Questão de Ciência. “Elas acham que a vacina é mágica. Ou seja, tomou a vacina, está protegido; não tomou, vai ficar doente. Não é assim que vacinas funcionam.” Segundo Pasternak, as vacinas “reduzem a chance de ficarmos doentes, de hospitalização e de morrermos”.

“Casos individuais não servem para a gente dizer se uma vacina é boa ou não. Precisamos olhar como essa vacina se comporta em uma população. A vacina reduziu a incidência da doença? Então, ela funciona”, resume. Foi isso que os testes de eficácia das principais vacinas disponíveis no Brasil e no mundo mostraram. A taxa de eficácia geral da CoronaVac, por exemplo, é de 50,38%. E a proteção é de 78% para casos leves, segundo informou o Instituto Butantan em janeiro deste ano.

Isso significa que a vacina reduziu em 50,38% o número de casos sintomáticos entre os voluntários da pesquisa e em 78% o número de infecções leves.

Durante os testes, nenhum participante vacinado morreu ou foi hospitalizado por covid-19, o que fez o governo de São Paulo divulgar na ocasião uma taxa de 100% de eficácia para casos graves.

Mas o próprio Butantan esclareceu que essa informação não era estatisticamente significativa. Isso porque não se sabe se foi a vacina que evitou os casos graves durante o estudo ou se eles não teriam ocorrido de qualquer forma, já que o número de casos graves no grupo placebo não foi significativo.

Por BBC

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil