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Viva Ruy Barata!

Viva Ruy Barata!

Foto: Divulgação

Ruy Guilherme Paranatinga Barata nasceu em Santarém, em 1920.

Aos dez anos veio para Belém fazer o ginásio, e por aqui ficou por toda a vida.

Foi poeta, político, advogado, professor e compositor brasileiro.

Filho único de Maria José Paranatinga Barata e do advogado Alarico Barros Barata, recebeu o nome Ruy em virtude da admiração paterna por Ruy Barbosa. O indígena paranatinga vem do lado materno, que significa rio(Paraná) Branco (tinga), rio de águas claras.

Em 1941, casa-se com Norma Soares Barata.

Em 1943, forma-se em Direito, e, em plena ditadura do Estado Novo, faz um discurso em que pede a volta do país ao Estado de Direito e defende teses avançadas no campo da justiça social.

Passa a frequentar a roda de papo do Central Café, no Centro de Belém, onde convive e integra a mais brilhante geração de intelectuais paraenses republicanos, que gravitou em torno do professor Francisco Paulo Mendes, o Chico Mendes, mestre dessa e de outras gerações.

Entre os frequentadores da roda de papo do Central Café, estavam, entre outros, os poetas Mário Faustino, Paulo Plínio Abreu, Cauby Cruz e Max Martins; o filósofo Benedito Nunes,
o escritor e jornalista Haroldo Maranhão, o maestro Waldemar Henrique, o professor Machado Coelho, e os escritores Nunes Pereira, Napoleão Figueiredo e Raimundo Moura.

Em decorrência da luta contra o autoritarismo de Magalhães Barata, entra na política aos 26 anos, e, em 1946, é eleito deputado estadual para a Assembleia Legislativa do Pará, e reeleito em 1950.

Foi também deputado federal, cumprindo mandato de 1957 a 1959 no Rio de Janeiro, então capital do Brasil,

Com o golpe militar de 1964, foi preso, demitido de seu cartório e aposentado compulsoriamente de sua cátedra na faculdade de filosofia da Universidade Federal do Pará.

A partir de 1967, Ruy Barata, que tinha desde a juventude, uma estreita ligação com a música, passa a compor em parceria com seu filho, o então jovem músico e instrumentista Paulo André Barata.

Em 1978, lança mais um capítulo do estudo sobre a Cabanagem, a revolução paraense de 1835.

Em 1979, com a promulgação da Lei da Anistia, Ruy Barata é reintegrado ao quadro de professores da Universidade Federal do Pará, onde volta a ensinar literatura brasileira, e se aposenta como cartorário.

Em 1984, é publicado a primeira edição do livro Paranatinga, de Alfredo Oliveira, um ensaio biográfico sobre o poeta.

Ruy Barata morreu em 23 de abril de 1990, deixando nove filhos.

Sua estátua está nos jardins do parque da residência, antiga casa dos governadores do Pará, que hoje abriga a secretaria de Cultura do Estado. Empresta seu nome a uma avenida, ainda em construção, e que margeia as águas da baía do Guajará em Belém.

O trabalho de Ruy Barata continua a inspirar músicas, poesias, vídeos, cinema, trabalhos escolares, teses, documentários, dança, artes plásticas e dezenas de outras manifestações políticas e culturais em todo o Estado, para reverenciar a memória do poeta que disse em uma canção: “Tudo que eu amei estava aqui”.

Hoje, a Câmara Municipal de Belém reverencia, com a aprovação desta lei, nosso grande mestre.

E gostaria de agradecer aos seus filhos, em especial ao Paulo André, compositor e parceiro de Ruy em dezenas de lindas canções; ao médico Ruy Antônio, e ao jornalista Tito Barata, que preservam com muito amor e carinho a memória do poeta.

Viva Ruy Barata pelo seu centenário. Nosso imortal. Viva Belém, viva Pará, viva o Brasil.