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Por Pedro Valdez, Revista Bacana
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará e da Federal Rural do Pará não abriram mão do trabalho e continuam estudando o novo coronavírus. Eles chegaram à conclusão de que o pico da doença no Estado do Pará pode ocorrer no dia 14 de maio.
Nesse dia, segundo a pesquisa, a média de infectados apenas nas 24 horas do dia 14/05, pode chegar até cerca de 12 mil pessoas. Os números são uma análise do Laboratório de Sistemas Ciberfísicos. O professor Glaube Marques, da Ufra, disse que o sistema possui 90% de precisão. Ou seja, caso seja mantida a taxa atual de crescimento da doença, no mínimo 10.800 pessoas serão contaminadas dia 14/05.
Os números preocupam pois até o final de abril o sistema público de saúde de Belém já estava praticamente colapsado. No dia 27/04 todos os leitos da rede municipal haviam sido ocupados. Neste dia Unidades de Pronto Atendimento (UPA) sequer estavam abertas no bairro da Marambaia e Cremação devido à falta de médicos, equipamentos e superlotação. O Pronto Socorro da 14 de março também chegou suspendeu novos atendimentos por algumas horas no fim do mês de abril. Também a rede estadual está quase toda ocupada. Outros hospitais que não estavam na linha de frente do combate ao vírus, como a Santa Casa e o Galileu, foram colocados à disposição da força-tarefa. “Para tanto, o governo disponibilizou 18 hospitais regionais que passaram a funcionar como ponto de referência no combate à doença. O Estado dispõe de 158 UTIs e 951 leitos destinados, exclusivamente, aos pacientes de covid-19”, comentou o governador Helder Barbalho. A rede privada atua com capacidade reduzida. Um alto número de colaboradores dos planos foi contaminado. O plano de saúde Unimed abriu um chamado imediato para vários profissionais da área da saúde para cobrir o espaço vago. O Governo do Estado também reforçou o envio do remédio Cloroquina para as redes públicas e particulares. Esse remédio foi autorizado pelo Governo Federal para tratar pacientes com covid-19. O governador Hélder Barbalho também pediu em ofício ao ministro da Saúde Nelson Teich equipamentos de saúde com urgência. “Nos dirigimos para solicitar, com a urgência que o caso requer, o envio de 564 respiradores, 564 monitores e 2.256 unidades de bomba de infusão, a fim de suprir a necessidade de atendimento à população”, disse o governador Helder Barbalho.
A situação de quem mais precisa é desesperadora. A cabeleireira Nashara, do bairro da Sacramenta, estava há horas sem saber notícias do irmão, um eletricista de 46 anos, internado por covid-19. Ele foi encaminhado ao Hospital de Campanha do Hangar após 4 dias sem medicação no PS da 14.
“Eu consegui que ele viesse pra cá por conta própria. No PS da 14, passou quatro dias sem medicação, precisando de respirador, mas não tinha”, contou Nashara para o jornalista Moisés Sarraf, da Agência Pública, que já estava na portaria do Hangar havia cinco horas sem conseguir notícias do irmão.

